sábado, 31 de julho de 2010

Marcelo Grassmann



Foto: Reprodução

Há personalidades que nos provocam sensações e reações contraditórias. É o caso de Marcello Grassmann (1925), artista plástico que assina a primeira exposição individual da Galeria de Arte Mírian Badaró, de Taubaté, que será aberta hoje, às 19h.

Não tem como falar da história da arte no Brasil sem passar por Marcello Grassmann e é inevitável não tecer elogios ao descrevê-lo. Por outro lado, por mais que os adjetivos sejam cuidadosamente escolhidos, ainda assim parecem pequenos e insuficientes diante da grandeza de sua obra.

Mírian Badaró não consegue esconder a sua felicidade ao receber a obra de um artista da importância de Marcello Grassmann -- que impulsionou o mercado de arte no Brasil -- em sua galeria.

"Foi o (artista) George Gutlich quem me apresentou o Grassmann. Quando o conheci não conseguia nem falar. Aos poucos ele foi me mostrando suas telas e sua casa. Ele me deu liberdade para escolher o material que queria levar para a galeria e sai de lá, do nosso primeiro encontro, com 30 gravuras", conta a proprietária da galeria.

Mostra. Mas não são essas gravuras que integram a exposição. Elas fazem parte do acervo da galeria e estão disponíveis para venda. As obras da primeira mostra individual são 20 desenhos em papel, obras únicas que representam uma pequena parte de toda a criatividade materializada pelas mãos do renomado artista.

Há poucos meses de completar um ano, a galeria Mirian Badaró presenteia a região com a os temas de Marcello Grassmann, que são os mais variados.

"Grassmann traz em suas obras temas muito sombrios. Ele retrata monstros, caveiras, soldados com suas donzelas, peixes. É tudo mitológico e remete a um mundo fantástico", afirma Mirian Badaró.

Para se ter uma ideia do tamanho do acervo que o gravador, desenhista, ilustrador, escultor e professor possui, o museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, também está promovendo uma exposição individual com obras de Grassmann. São 420 trabalhos -- em papel -- que fazem uma retrospectiva do conjunto de sua obra.

Artista. Em entrevista ao O VALE, Marcello Grasmann falou sobre sua trajetória e sobre a situação atual do mercado das artes no Brasil.

"Falar sobre mim e sobre o minha trajetória é muito difícil. Foi mais fácil fazer meu trabalho durante os mais de 40 anos, nos quais tentei me manter fiel a minha linha ideológica. Nunca pretendi ser um caminho único e acho ótimo que surjam coisas novas, mas com qualidade", disse.

Grassmann afirma que "o mar não está para peixe" no mercado das artes, não só no Brasil mas no mundo, de modo geral, e justifica dizendo que a grande dificuldade hoje é separar a "arte" que é efêmera daquela que realmente deixa lições e contribuem para a formação de escolas e movimentos artísticos, a exemplo daqueles que existiram no passado.

"A única escola que se vê hoje é a da curiosidade e do inédito e se não há uma estrutura formal e um sistema para educar as diversas formas de expressões artísticas, o conceito de arte vira um caos", diz.

Qualidade. Ainda de acordo com Marcello Grassmann artistas que descobrem um "filão" -- ao utilizar um material diferente para desenvolver suas obras, por exemplo -- muitas vezes não possuem conteúdo para se manter dentro do processo cultural, e é aí que sua obra se torna efêmera.

"Não quero impor um padrão, aliás toda imposição de padrão foi um fracasso. Mas acho que é importante você ter conhecimento para poder superar aquilo que considera velho. Assim como em outros campos, no mundo das artes as coisas ganham formas novas, se alteram, por isso não podemos negar o elo com antigo. Aí sim, se você é contra uma academia, você pode criar outra nova", diz.

Satisfação. Antes de terminar a entrevista concedida ao O VALE, Marcello Grasmann falou da sua gratidão ao ter seu trabalho divulgado em uma galeria de arte do interior.
Essa é a primeira exposição com obras de Grassmann em Taubaté e tem como patrocinador a empresa Viapol. No Vale do Paraíba, ele só havia exposto há mais de 20 anos, na Galeria do Sol, em São José dos Campos.

Mallu Magalhães



Foto: Divulgação

Quando Mallu Magalhães começou a aparecer na mídia -- depois do seu grande sucesso na internet, mais especificamente no MySpace -- era difícil acreditar que uma menina de apenas 15 anos estivesse investindo num estilo tão pouco valorizado no Brasil e sua voz, aparentemente insegura -- ou seria melhor frágil? -- era um alarme falso de que o projeto não iria longe.

Para a surpresa dos críticos e dos fãs, Mallu Magalhães lançou seu segundo disco em novembro de 2009, pela Agência de Música/Sony Music, e, assim como o visual ganhou um aspecto mais maduro -- a menina agora se veste como mulher -- o projeto tem mais peso que o primeiro. Um pedacinho dessa curta, mas já marcante trajetória, será apresentada neste sábado, a partir das 14h, em Campos Jordão, onde a cantora se apresenta gratuitamente, na Praça do Capivari.

Para o deleite dos fãs, Mallu deve trazer em seu repertório algumas de suas músicas do álbum de estreia, entre elas “J1” e “Tchubaruba”, uma das mais tocadas do disco que foi lançado em 2008.

Do segundo álbum é difícil eleger duas ou três músicas preferidas -- não que seja fácil a decisão em relação ao primeiro. É que o último tem mais canções escritas em português -- agora são seis composições em português e sete em inglês -- e é natural que o coração dos fãs fiquem mais divididos também.

O trabalho mantém a parceria de Mallu com os músicos do primeiro disco: Jorge Moreira (bateria e washboard), Kadu Abecassis (violões e guitarras) e Thiago Consorti (baixo). Além deles, há ainda a presença especial de André Lima, um tecladista que também revela seus talentos no comando do piano (de saloon ou não), do órgão Hammond, além do harmônio -- muito similar ao órgão -- e do metalofone -- um “ primo” do xilofone.

A produção musical tem um nome de peso, Kassin, que já assinou grandes discos de Los Hermanos, Caetano Veloso e Vanessa da Mata. A jovem cantora ainda conta com alguns arranjos de cordas feitos por Felipe Pinaud, da Orquestra Imperial (Rio de Janeiro), além da sua contribuição para a “Shine Yellow”, que tem uma pegada bem diferente.

Marcelo Camelo não ficou de fora. O namorado da cantora faz vocais em três músicas e participa da faixa “Compromisso” junto com a cantora Taciana Vaz.
Se só o talento de Mallu Magalhães já foi suficiente para lançar a garota no mercado fonográfico, imagine o que vem por aí, agora, com tantas parcerias e forças do bem?

Paula Lima



Foto: Divulgação

Poucos artistas conseguem emocionar ao público interpretando. Paula Lima, ao dar vida à personagem Grizabella, no musical "Cats", mostra que tem esse poder. Dona de uma voz aveludada -- que consegue ser suave e ao mesmo tempo potente --, a cantora tem impressionado ao cantar a música tema da personagem. E isso é só uma constatação! Quem quiser conferir mais de perto as qualidades artísticas de Paula Lima, vale conferir o show gratuito que a cantora faz no Teatro Sesi amanhã à noite.
O repertório é formado por canções que integram o último disco da artista "Samba Chic", que foi registrado em CD e DVD em 2008. Em entrevista ao O VALE
, Paula Lima não esconde a satisfação com a seleção das músicas.
"Não tenho filhos, mas acredito que -- escolher uma música preferida -- seria o mesmo que responder de qual filho mais gosto. Adoro todas, sem distinção, e deixei muitas de fora para justamente dar espaço para essas que me traduzem. Todas ficaram muito bem arranjadas, são melódicas, tem pressão, balanço, brasilidade e o tempero forte contemporâneo e urbano", conta.
Apesar do nome do álbum -- Samba Chic -- o trabalho tem um swing todo especial, marcado pela influência de outros estilos musicais, além do samba, como o hip hop, o funk e o groove. "Acredito que todas caíram bem no gosto do público, mas é normal que as pessoas se expressem mais ao ouvir as mais conhecidas como 'Meu Guarda Chuva', 'Tirou Onda', 'É isso aí e Mangueira'", afirma Paula.
Carreira.
Paula Lima iniciou na vida musical ainda criança. Com 17 anos, já tinha um diploma de formação em piano clássico.
Apesar de ter cursado Direito -- e até se graduado --, não conseguiu se manter longe do mundo da música, estreando na profissão aos 22 anos, com o grupo Unidade Bop, com o qual lançou seu primeiro CD pelo selo Eldorado.
Ainda nessa época fez backing vocal para o Jorge Ben Jor e depois foi integrante do grupo Zomba e do Funk Como Le Gusta. A partir daí, o sucesso se tornou uma constante.
Gravou quatro CDs solo, que ganharam repercussão no Brasil e no exterior. Fora do país, fez shows na Angola, no Japão e na Europa. Também recebeu indicações para concorrer ao Prêmio Multishow e ao Tim de Música.
Discos.
O primeiro disco solo de Paula Lima, "É Isso Aí", foi lançado em 2001. Com ele, a cantora foi indicada à categoria de revelação pelo Prêmio Multishow. Dois anos depois, em 2003, a Universal Music gravou o CD "Paula Lima".
No mesmo ano -- em 2003 -- lançou seus dois trabalhos na Europa e no Japão. Neste último foi contemplada com o título de Diva Paulista e gravou com a banda japonesa Mondo Grosso, a música "Life".
O CD "Sinceramente", da Indie Records, sairia em 2006, com produção de Walmir Borges e Luis Paulo Serafim, além da própria Paula Lima. Esse foi o primeiro trabalho da cantora a ter tiragem esgotada em menos de um mês. O disco é uma apostas da intérprete em composições inéditas de alguns de seus admiradores como Seu Jorge, Ana Carolina, Zélia Duncan, Mart'nália, Arlindo Cruz, Leci Brandão, entre outros.
Com o terceiro trabalho, Paula Lima recebeu duas indicações ao Prêmio Tim de Música, de 2007, de melhor cantora e melhor álbum de MPB. Ainda com ele levou para casa o Troféu Raça Negra na categoria de melhor cantora.
No final de 2008, lançou seu primeiro DVD e o quarto CD da carreira, intitulado "Samba Chic", cujo repertório será apresentado hoje.
Televisão e teatro.
Desde 2008, Paula Lima faz parte da versão brasileira do programa "Ídolos", onde continua atuante. Em março desse ano, a artista estreou no teatro integrando o elenco da versão brasileira do musical Cats.
"Estou tendo a oportunidade de mostrar outro lado meu como cantora, já que uso um registro de voz, mais de cabeça, misturando o belting e o popular, um lado de atriz, que foi bem árduo para mim, já que nunca havia atuado na vida. Esse programa (Ídolos) me tornou muito mais popular e o "Cats" trouxe o reconhecimento de um grande esforço para me tornar uma artista realmente completa", diz.

Kiko Zambianchi



Foto: Divulgação

"Quando saí de Ribeirão Preto para ir para São Paulo tinha certeza que iria conseguir uma gravadora". Foi com essa mesma determinação do início de sua carreira que o músico Kiko Zambianchi superou a "crise de rock", ao longo de toda a década de 1990.
Hoje, com motivos de sobra para celebrar a superação das adversidades, Kiko trabalha na produção do seu mais novo CD, que deve ser gravado ao vivo em sua cidade natal em outubro deste ano. Para os fãs do Vale, uma oportunidade de conferir uma prévia desse trabalho, é o show que ele apresenta logo mais, às 21h, no Hotel Caesar Business, em São José dos Campos.
Não pense você que a citação de Kiko no início desse texto tem alguma coisa a ver com arrogância. Ele mesmo se explica. "Na década de 1970 as gravadoras tinham um vício de achar gente com um trabalho diferenciado. Ao contrário de hoje, que sai Ivete Sangalo para entrar Claudia Leitte, e sai NX Zero para entrar outra banda parecida. Naquele tempo tinha muita banda de rock boa e nenhuma era igual a outra", comenta.
E a intuição não falhou! Em menos de um mês Kiko conseguiu um contrato com a EMI e o lançamento do seu primeiro disco -- Choque (1985) -- já trazia sua composição de maior sucesso, "Primeiros Erros".
Mas quando o Brasil parou para ver Carla Perez dançar e não se ouvia outra coisa além de pagode e sertanejo, o músico teve que se virar. "Fiz muitos shows tocando violão na década de 1990, me especializei, fiz trilhas para peças de teatro -- Kiko chegou a ser indicado ao prêmio de melhor trilha da Apetesp (Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo) --, e foi assim que consegui sobreviver."
Novo fôlego para a carreira veio no início dessa década quando Zambianchi gravou o Acústico MTV junto com o Capital Inicial, colocando "Primeiros Erros" novamente nas paradas. "Depois disso começaram a prestar atenção no meu trabalho. Hoje mais de 65 artistas já gravaram composições minhas. Dá para sobreviver de direitos autorais, mas faço show porque gosto".

Vida de Circo

Foto: Flávio Pereira

Karlênia Rodrigues, com apenas 16 anos, já está acostumada a viajar por esse país. Não pega a estrada sozinha, vai acompanhada do pai, Carlos Antonio Rodrigues, o palhaço Maxixinho. Os dois são circenses e acabam de desembarcar em São José dos Campos para a nova temporada do Babilônia Circus.
A menina gosta do que faz e se orgulha por ter herdado os dons -- eram do avô, depois do seu pai, e chegaram a ela. No palco, o olhar atento voltado ao seu mestre revela o desejo de aprender mais sobre essa arte que, ainda hoje, encanta e diverte crianças e adultos.
Nada é capaz de frear a paixão pela vida artística, nem mesmo a rotina puxada que começa ainda de madrugada, por volta das 5h da manhã, com os preparativos para as aulas na nova escola.
"Na segunda foi meu primeiro dia de aula aqui. Os colegas ficam curiosos, acham diferente o estilo de vida que levo. Tem gente que até pergunta se tem lugar para fugir com a gente", conta a jovem que dá vida à palhaça Maxixinha.
Carlos Antonio, que há mais de 20 anos leva o palhaço Maxixinho ao picadeiro, se emociona ao falar da filha e da satisfação de conseguir passar adiante a tradição da família de artistas circenses.
Tradição.
A história se repete em outros trailers, em outras famílias que movimentam com graça as apresentações do Babilônia Circus.
Dione Wesley, com apenas 12 anos já tem muitas histórias na pele do palhaço Tampinha. Para ele, estar no palco é a coisa mais natural do mundo.
"Acho que não tem muito o que aprender, nem muito o que ensinar. O palhaço entra no palco e se solta. Aí diverte o público", diz o garoto, com olhos radiantes e um sorriso tímido no rosto.
É simples assim! E quanto mais envolvido com a arte, mais aumenta a vontade de se envolver com o circo. Aí o palhaço também vira ilusionista, o acrobata vira trapezista. No caso da Maxixinha, também vira performer de tecido, um dos números mais encantadores das apresentações.
"Eu tinha uma amiga que fazia esse número, aí ela me ensinou quando eu tinha 12 anos. Depois fiz circo-escola em Ribeirão Preto e agora vou incrementando com coisas que pesquiso", diz Karlênia.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Diego Ain da MotaMúsico taubateano coleciona participações em grandes projetos musicaisTaubatéAndré Leite
www.diegoain.com

Diego Ain da Motta tem 27 anos, nasceu em Ubatuba e foi criado em Taubaté, onde se iniciou como músico. Hoje, vivendo na Espanha, o percussionista coleciona participações em grandes projetos musicais, que lhe renderam apresentações em importantes fetivais da Europa. Uma trajetória cheia de desafios, superados com muita determinação.



Como foi que você começou a se interessar por música?

Cresci ouvindo música. Até meus quatro anos de idade minha mãe tocou piano ativamente. Me lembro de acordar no domingo de manhã, ainda lá em Ubatuba, ouvindo vinil de Rita Pavone e Nelson Gonçalves. Mas foi com 12 anos, influenciado por um grande amigo, o João Mauro Oliveira, que comecei a tocar. A gente morava no mesmo prédio e ele tocava rock, Nirvana...



Qual foi o primeiro instrumento que você tocou?

Eu sempre gostei muito de bateria. Mas como morava em prédio não tinha como tocar. Então comprei um bongô, foi quando entrei para a percussão.



E aqui na região você chegou a atuar profissionalmente como músico?

Eu era muito ruim tocando bongô. A galera pegava no meu pé, não me deixava tocar. Até que um dia conheci o Paulinho da Lua que me disse que percussionista de verdade tinha que tocar pandeiro. Ai abandonei o bongô, peguei um pandeiro velho e comecei a tocar em casa. E comecei a investir nisso porque a aceitação era diferente. Dai comecei a tocar em bares com Toninho Mattos, Teteco dos Anjos (ambos integrantes de "Os ilhones") e outros artistas daqui do Vale do Paraíba.



E quando você foi para São Paulo estudar percussão?

Eu queria evoluir, mas tocando percussão e aqui no Vale não tinha ninguém que pudesse me ensinar. Aí fui para São Paulo morar com o Gervs (Gerval de Almeida), um grande baterista, e juntos entramos para o Conservatório Musical Souza Lima. Mas era super caro, eu não teria condição de pagar a aula. Mas fui falar com o professor, o maestro Dinho Gonçalves e ele me perguntou se eu queria mesmo estudar e o quanto eu achava que poderia pagar. Eu disse que era dificil dar preço ao trabalho dele. Ele sugeriu R$ 50 reias e eu disse, na mesma hora, que já era aluno dele.



E a sua relação com o flamenco?

Nessa época eu tocava com o Reginaldo (Serial Funkers), e descobri o cajon, instrumento de origem peruana, muito presente na musica flamenca espanhola. Meu tio era carpinteiro e fez um para mim. Certo dia estava no estúdio do Ricardo Xavier, gravando meu primeiro disco com o João, e o Kleber Assunção (professor da Faculdade de música Santa Cecília - Pindamonhangaba) viu meu cajon e perguntou se eu tocava flamenco. Eu disse que não mas que estava louco para aprender. Ele disse que tocava num grupo que precisava de um percussionista então comecei a aprender flamenco estudando alguns discos produzidos por Roberto Angerosa.



Você foi aluno do Roberto...

É! Fazia dois anos que estava no Souza Lima e já tinha aprendido o que tinha que aprender. O Dinho estava ensaiando uma peça erudita, com um pouco de dificuldades para tocar e virar as páginas. Eu estava acompanhando, acabei virando as duas últimas páginas enquanto ele tocava. Foi quando demos conta de que eu estava lendo partitura. Acabei entrando para o grupo do Dinho e fui motivado a ir atrás da ULM (Universidade Livre de Musica Tom Jobim). Acabei conseguindo uma vaga para estudar percussão étnica, com o Roberto Angerosa.



E como nasceu o projeto Música Cotidiana?

No verão de 2002 conheci um grupo de Ibiza em Ubatuba e fui para lá a convite deles tocar no festival de verão. Com 20 anos, 60 quilos de instrumentos e só 200 euros entrei pela primeira vez num avião. Em Ibiza, conheci o VJ Frank, que me convidou para morar em Valencia. Certo dia peguei um laptop e gravei um som com percussão corporal, com as técnicas que aprendi na ULM, em aulas secundárias. Aí o Frank fez dois vídeos que comecei a usar como base para minhas apresentações ao vivo e para dar aula. No vídeo eu tiro som de uma escova de dente. Esse prejeto cresceu e rendeu um vídeo com participação de pessoas do mundo inteiro ("Just Make Music", que está disponível no youtube).



Você tocou também com várias bandas na Espanha, né?

Com o The Drama, toquei em grandes festivais, depois o Marcelo Brandão (Banda Gugles) foi para Espanha e montamos um quarteto, o Samba Rock SA, tocando versões modernas de musica brasileira e um flamenco abrasileirado, depois fui para Madri, tocar no Livika (Big Band Percussões do Mundo). Com esse grupo comecei a ganhar dinheiro e passei a comprar equipamentos de estúdio e gravar meus amigos.



Foi quando virou produtor musical?

Sim. Conheci um baixista fera que estava começando um projeto de banda chamado Calima e me convidou para participar do disco "Azul", que foi indicado ao Grammy como melhor disco de flamenco. Depois o grupo Fritanga me convidou para mixar o disco deles. Foi meu primeiro trabalho de produção e comecei a investir nisso. Também produzi um disco para o colombiano Camilo, Chico Ateroide, Chabola Vip, e outros.



O que te trouxe de volta para o Brasil?

Depois que conheci o Kikoto, que fazia os vídeos do Livika, aprendi edição e comecei a produzir trilhas para documentários e curta-metragens, estudar mixagem e masterização e acabei virando professor da escola. A partir daí comecei a dar cursos fora da Espanha. Foi isso que me trouxe de volta ao Brasil. Estive em Salvador, na escola do Carlinhos Brown.



E quais são seus projetos futuros?

Criei um selo discográfico, o Mundo Afora Records, e estou consolidando um movimento cultural, produzindo um disco, o Haciendo Pina, com temas gravados por músicos do Vale do Paraíba e que moram na Espanha, e espero fazer o lançamento do disco lá na Espanha e aqui no Brasil para promover esse intercâmbio por meio de um festival itnerante.

TV e shows prometem surpreenderSão José dos Campos

Em 2010, as TV s serão marcadas por estreias e re-estreias. Deve voltar à programação da TV Globo o seriado "Os Normais", com Luiz Fernando Guimarães (Rui) e Fernanda Torres (Vani). Também há especulações sobre a exibição de uma série global, estrelada por Eduardo Moscovis, com direção de João Falcão.

Os amantes de séries encontrarão boas opções na programação da TV Band. O canal firmou parcerias com as distribuidoras Paramount, Universal Studios, Fox Films, HBO, MGM e Sony Entertainment para a exibição de suas produções.

Já a programação das TVs por assinatura traz a 8º temporada de 24 Horas, exibida pela Fox. O canal também irá lançar uma nova série neste ano. Intitulada Humam Target, a história está baseada na obra de Peter Milliganum, um drama de ação focado num homem que trabalha como segurança de potenciais alvos de ataque.

O canal ABC que exibirá exibirá a 6º e última temporada de Lost nos Estados Unidos, também tem novidades para 2010: Happy Town, um drama centrado em Haplin, uma pequena cidade que registra seu primeiro crime ocorrido após um longo período de paz quebrado por uma série de sequestros não resolvidos.

SHOWS - E para quem curte shows internacionais, o ano também começa agitado, com boas turnês entre janeiro e março. O Metallica tem apresentações marcadas para o dia 28 de janeiro, no Estádio Zequinha, em Porto Alegre, e 30 e 31, no Estádio do Morumbi, em São Paulo.

The Cranberries também faz uma turnê pelo país, começando no dia 28 de janeiro, pelo Citbank Hall, no Rio de Janeiro; no dia 29, o grupo se apresenta no Credicard Hall, em São Paulo; no dia 31, no Chevrolet Hall, em Belo Horizonte; e no dia 3 de fevereiro, no Pepsi on Stage, em Porto Alegre.

Já a turnê "Viva La Vida", do Coldplay, terá apresentações nos dias 28 de fevereiro, na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, e 2 de março, no Estádio do Morumbi em São Paulo.

E não podemos esquecer das especulações sobre a apresentação da turnê '360', da banda irlandesa U2.

Taubaté prevê ações nos bairrosAlém do Vale do Paraíba, o Brasil deve receber bons shows e algumas estreias cinematográficas já esperadas para este anoAndré Leite

São José dos Campos

Depois de mais de dois anos fechado, o Teatro Metrópole, em Taubaté, foi reaberto em dezembro de 2009 e dinamizar a programação do espaço é uma das metas da diretora do DMTUC (Departamento de Meio Ambiente, Turismo e Cultura), Cíntia Manfredini.

Assim como em São José dos Campos, a descentralização das ações culturais deve movimentar os bairros com projetos como o Show Itinerante, o Teatro nos Bairros e o Dançando nos Bairros. Este último deve levar o Balé da Cidade para se apresentar em escolas municipais.

Também está previsto para 2010 o início do restauro da Vila Santo Aleixo e do Museu Histórico Folclórico e Pedagógico Monteiro Lobato - Sítio do Pica Pau Amarelo, um dos pontos turísticos mais visitados na cidade.

"Entendo que uma das marcas culturais desse governo é a abertura ao diálogo com a comunidade. Esse diálogo irá se multiplicar muito, com a criação do Conselho de Cultura", afirma Cintia.

CAÇAPAVA - A Secretaria de Cultura, Esportes e Lazer de Caçapava mantém, em 2010, os projetos de fomento à leitura e à escrita, de formação de plateia para o cinema e de formação cultural.

Segundo informações da Secretaria de Cultura, a partir de fevereiro o projeto Encontro com as Letras, palestras no formato de bate papo com escritores de renome, passará a ser realizado em edições mensais.

Os membros da Academia Caçapavense de Letras também devem continuar promovendo o "Autor vai à Escola", visitando escolas da rede pública e privada com a intenção de aproximar a instituição do público.

O Cine Férias ganha mais duas edições, uma em janeiros e outra em julho, com três sessões diárias gratuitas para o público infantojuvenil, no Cine Vogue. O espaço também sediará o Quinta no Cinema que exibirá filmes do circuito comercial. O ingresso será um quilo de alimento, destinado ao Fundo de Solidariedade.

Entre os projetos novos está o Cinema nos Bairros, com início previsto para março o programa fará a exibição semanal de filmes nacionais e estrangeiros em todos os bairros do município, em centros comunitários e praças públicas.

Também serão oferecidas 34 oficinas culturais, nas áreas de música, dança, artesanato, literatura e artes plásticas. Só as aulas de teatro oferecerão 2000 vagas gratuitas.

Na programação de eventos que já fazem parte do calendário da cidade também há novidades. O Carnaval de Marchinhas , em 2010 ganha dez novos bonecões, que homenagearão personalidades ligadas à cultura de Caçapava e também figuras que povoam o imaginário popular. O aniversário da Cidade, em abril, contará com shows musicais e exposições. A Festa São João de Caçapava, em junho, promoverá um Festival de Música Caipira e a Semana do Folclore, na última semana de agosto, além de exposições, danças e show musicais, deve apresentar um videodocumentário que registra aspectos da cultura popular do município.

2010 na culturaO valeparaibano adianta para você o que está sendo programado para este ano na área culturalSão José dos CamposAndré Leite

Diz a letra: "A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte". E quais são as perspectivas da cultura para 2010? Nossa equipe de reportagem foi conferir o que está no planejamento dos administradores responsáveis pela cultura na nossa região. Apesar de contar com lideranças aparentemente empolgadas e confiantes, muitas das propostas revelam uma política cultural ainda tímida e sem grandes novidades. Por outro lado, alguns projetos interessantes, se saírem do papel, poderão render bons frutos.

Em São José dos Campos, a FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo) irá praticar a descentralização da cultura, ação que já era colocada como meta em administrações anteriores e também está presente no planejamento de outras cidades, como Jacareí e Taubaté. A proposta é que a verba de cultura seja direcionada aos espaços culturais da cidade.

"Levando cultura para os bairros nós iremos descobrir novos talentos e levar a linguagem da arte para que a população possa conhecê-la, passe a se interessar por ela e assim comece a formar plateia", afirma o presidente da FCCR, Mario Domingos de Moraes.

A partir de 2010 a FCCR contará com um planejamento estratégico, o que, segundo Moraes, até então era inexistente. Nesse contexto, a população passará a ser tratada como cliente da Fundação.

"Isso irá nos ajudar a atingir nossos objetivos. Antes era confuso, não sabíamos se as ações deveriam ser direcionadas ao povo ou ao artista. Hoje estamos esclarecidos de que o artista é nosso parceiro e irá nos ajudar a agregar valores às pessoas para que elas possam exercer a cidadania", diz o presidente da FCCR.

PROJETOS - Dentro do programa de fomento à cultura, um dos projetos da Fundação Cultural Cassiano Ricardo prevê a realização de pelo menos seis apresentações da Orquestra Sinfônica, num total de doze, em diferentes espaços culturais da cidade. As demais continuam a ser realizadas no Teatro Municipal.

O Festival de Bandas e Fanfarras, realizado em 2009 no Campos dos Alemães, deve ganhar novas edições, em outros bairros, em 2010.

Outra proposta que deve ser colocada em prática é a criação da Cia de Dança Jovem. Atualmente, o grupo da cidade é formado por bailarinos profissionais mais velhos, vindos de outras localidades.

"Uma dos nossos objetivos é movimentar a cultura. Primeiro descobrimos um novo talento, depois o formamos com cursos e assim temos um artista preparado para integrar a Cia de Dança, o Coro Jovem, a Orquestra Sinfônica...", afirma Mário Domingos de Moraes.

Outra novidade interessante é o "Cinema em Movimento". O projeto foi inspirado em uma ação realizada na cidade de Presidente Prudente, onde uma Kombi funciona como projetor e tela de cinema e visita diferentes bairros do município.

O presidente da Fundação Cultural lembra que todos os projetos serão desenvolvidos sempre respeitando a vocação cultural de cada bairro. E, nos bairros que não possuírem um centro cultural, as ações serão feitas por meio de parcerias com escolas, e outros espaços públicos ou privados.

Ainda em janeiro, deve funcionar o "Cultura não tira férias" que promoverá diversas oficinas culturais de artes visuais, cultura popular, dança, teatro, literatura e música.

Também estão previstas, no planejamento de 2010, duas edições do seminário para discussão da política cultural, novas feiras itinerantes do projeto "Artesanato e moda urbana" e a criação da Escola de Artes autosustentável, não atrelada ao poder público.

JACAREÍ - A Fundação Cultural de Jacarehy José Maria de Abreu, tem orçamento de R$ 3.6 milhões previsto para 2010. Um milhão a mais que a verba de 2009. Só a Lei de Incentivo à Cultura irá atender nove projetos, três a mais que no ano anterior. A verba subiu de R$ 362 mil para R$ 540 mil.

Entre os projetos que devem vigorar em 2010 está o Pró-Memória (em prol do arquivo histórico), a ampliação do Cultura para Todos (que leva atrações culturais aos bairros da cidade), a repaginação das Oficinas Culturais e de artesanato, que devem estar ligadas à Política Cultural do Município e a formação da Orquestra de Câmara da Fundação Cultural de Jacarehy.

Além disso, a Fundação prevê a criação do Conselho de Cultura, proposta que nasceu no Fórum de Cultura realizado em 2009, e a assinatura do Termo de Cooperação com o Ministério de Cultura para a implantação do programa Mais Cultura.

No mês de julho, o Museu de Antropologia do Vale do Paraíba irá sediar a 1º Bienal de Artes Plásticas. A cidade deve promover, ainda, um Festival de Teatro e a Semana Cultural Lieterária.

Os projetos Uma Noite no Museu e a Feira do Bolinho Caipira que, segundo informações da Fundação Cultural, fizeram grande sucesso em 2009, continuam na programação de 2010.

Luana CamarahLíder as bandas Turnê e Bionika, a cantora já apresentou-se nos programas 'Ídolos' e 'Astros', o que rendeu até um contratoTaubatéAndré Alves
www.bandaturne.com.br/

Luana Camarah tem 21 anos. Os últimos nove foram dedicados à carreira de cantora. À frente das bandas Turnê e Bionika, a jovem, dona de uma voz com timbre marcante, coleciona boas lembranças da 'estrada'. Já se apresentou em casas conceituadas, como o Hangar e Dublin, em São Paulo, e já participou dos programas "Ídolos" e "Astros". Neste último, a aparição da banda "Turnê" em rede nacional rendeu grande reconhecimento dos fãs, de diversas partes do país, além de um contrato com o escritório do produtor musical, e jurado do programa, Thomas Roth. No Vale, Luana já cantou para um público de mais de 18 mil pessoas e seu primeiro CD independente já vendeu mais de 10 mil cópias.



Quando você descobriu que tinha o dom de cantar?

Eu venho de uma família de músicos. Meu avô já tocava. Depois meu pai e meus irmãos também. Acho que está no sangue. Um dos meus irmãos toca em banda gospel, outro em banda de micareta... No final de semana cada um pega um violão e, juntos, fazemos um barulho. E quando disse em casa que ia cantar, o incentivo foi muito grande. Meu pai achou maravilhoso.



E quantos anos você tinha quando começou a cantar profissionalmente?

Comecei com 12 anos. Eu tocava na igreja e participava de diversos festivais de música católica, inclusive na Canção Nova. Ai o pessoal da banda Maria Preta me chamou para fazer teste de vocalista. Eles curtiram e eu fiquei... daquele jeito: sempre fui muito tímida e ficava nervosa ao me apresentar para o público.



Em seguida veio a Luana e Banda...

Isso! Eu já estava um tempo parada, enlouquecendo em casa, sem cantar, e meu irmão, que é baixista, me convidou para montar uma banda de rock. E conseguimos uma repercussão super boa. Foi quando eu consegui fazer meu nome, já que 'a Luana' estava à frente do trabalho. Tanto que, até hoje, as pessoas me vêem e falam 'Luana e Banda'. Nós tocávamos muito aqui no Vale. Tinha muita balada pra tocar, não ficávamos um final de semana sem fazer show.



E foi com "Luana e Banda" que você superou a timidez e adquiriu mais segurança no palco?

Foi. No começo, na Maria Preta, eu vivia num círculo fechado. Cantava numa banda de soul e black, então só ouvia aquilo. Não tinha outras referências de fora. E com Luana e Banda já comecei a ouvir rock, incentivada pelo meu irmão. E fui pegando, de cada estilo, aquilo que me servia. Meu pai, por exemplo, tocava chorinho. Para a formação do músico, quanto mais informação, melhor! Eu não tenho paciência para o metódico, aprendi tudo na raça.



E a Banda Turnê?

Foi formada a partir da mistura de dois projetos. Final de ano é sempre ruim para tocar, porque está em alta o axé... Aí o Xandão, que era da banda Gugles, me chamou para fazer um projeto de verão. Ai tocamos um mês e meio no 180, em Ubatuba, mas fazendo rock. Aí ele começou a tocar comigo no Luana e Banda, porque, até então, meu irmão era o único músico fixo que tocava comigo. Quanto tinha show, a gente fazia uma 'cata', formava um grupo e se apresentava. Ai o povo começou a levar a banda cada vez mais a sério...



Mas não era complicado para a banda não ter uma formação fixa?

É! Na verdade tinha, mas não tinha. Tinha os caras certos: quando não era o Joziel, da Gugles, era o João Mauro; quando não estava o Xandão, estava o Luciano. E se não tinha um, arrumávamos outro e ensaiávamos no dia de tocar.



Rolou alguma situação engraçada, por conta da falta de músico?

Várias! Nessa época tocávamos em muita festa de faculdade, churrascos... E uma vez o Joziel não pode ir e eu acabei tocando guitarra. Foi um desastre, mas toquei! Não consigo prestar atenção no que estou tocando e no que estou cantando, ao mesmo tempo. Foi 'no truque' (risos). Outra vez, o Joziel teve um problema pessoal e não pode nos acompanhar no 180 (Ubatuba). Sabadão, a balada bombando, nós fomos que fomos. No final o empresário ainda disse que gostou da banda e que eu tocava bem.



Você chegou a fazer barzinho?

Já fiz bastante. Quando surge algum convite e estou em casa sem fazer nada, vou lá e faço. Tenho um amigo, o Tiago Aguiar, que está costumado a fazer e que me acompanha. A gente 'meia' o cachê e faz um som!



Agora você também tem outra banda, a Bionika?

A Bionika é um projeto underground. E a gente não toca cover, só música própria. E ela já tem um ano. Até o CD está pra sair, está na finalização. E estamos no gás de fazer rock n roll. A banda Turnê tem um estilo mais pop rock, cover, e não deixa de ter um trabalho autoral. Mas eu queria uma banda que começasse já com o trabalho autoral. Porque ainda há muita resistência do público, quando você está fazendo cover, de ouvir a sua música própria. E abriu muito esse leque da música underground, por causa de bandas como NX Zero, Fresno, Strike e eles começaram assim. E o rock da "Bionika" é diferente do rock da "Turnê". É mais jovem!



A Turnê já tem um trabalho autoral, né?

Já, o "Sigo o Sol". Nós já vendemos 10 mil cópias. Para uma banda independente é um número muito importante. Esse CD tem dois anos e todas as letras são minhas. Também fiz a produção musical junto com o Helton Fagundes, que é um parceirão da banda.



E quais são seus projetos para 2010?

Ainda em janeiro ou, mais tardar, em fevereiro quero lançar o CD da Bionika que está mixando. Com a Turnê, começo a gravar o segundo disco. O primeiro foi muito autoral, agora queremos um CD que todo mundo faça junto pra rolar aquela energia... A "Turnê" é minha vida e não pretendo deixá-la.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Natal na serraCampos abre intensa programação dedicada aos festejos natalinos; na programação, balé, parada e showsCampos do JordãoAndré Leite




Shows, espetáculos de dança e paradas de Natal farão parte do projeto "Natal dos Sonhos", promovido pela Fundação Lia Maria Aguiar até o dia 10 de janeiro, na estância turística de Campos do Jordão.

Neste ano, a equipe de organização do evento tem um enfoque diferente e investe na inclusão social. Sediado no Parque Turístico do Capivari, o "Natal dos Sonhos" pretende atrair jordanenses das mais variadas classes sociais.

"Dentro da programação teremos a Parada de Natal que contará com a participação de 280 crianças da rede municipal de ensino e além de inserí-las socialmente e culturalmente, esperamos atrair também os pais e parentes dessas crianças para o Parque do Capivari, uma área nobre. Há um paradigma da população menos favorecida de acessar esse espaço turístico. Mas é algo que todos os jordanenses têm direito", afirma Luiz Goshima, gerente social da Fundação.

E o projeto não irá beneficiar somente a população local. Turistas poderão conferir, depois que a programação de Natal encerrar, os resultados positivos dos apoios e das parcerias feitas entre a Fundação e a iniciativa privada.

"O espaço nobre do Capivari precisava de uma reforma. Então nós criamos, além de um parque temático com decoração e ambientação inspirada no conto do 'Quebra Nozes', um projeto paisagístico que permanecerá após essa temporada", diz Goshima.

ESTRUTURA - O Parque Temático inspirado no conto do "Quebra Nozes" reúne uma série de atrativos, em diferentes ambientes, que promoverão a interação com os visitantes.

"Montamos um labirinto, na área ao ar livre, que conduzirá as pessoas até um presépio, aproveitamos também um espaço no interior da Estação de Ferro onde fizemos a ambientação do 'Reino dos Doces' e criamos uma tenda, onde serão realizados os shows e espetáculos de dança, num espaço de 1.000 metros quadrados, com capacidade para receber 1.500 pessoas", afirma Goshima.

PROGRAMAÇÃO - Um dos pontos altos do "Natal dos Sonhos" é a Parada de Natal que será realizada em três edições. A primeira acontece na noite de hoje, a partir das 19h30.

A abertura da Parada fica por conta da Bamflima (Banda Marcial Fundação Lia Maria Aguiar), regida pelo maestro Fúlvio Mendonça, que dará início à apresentação na Praça do Pinho Bravo, tocando temas natalinos.

Já nas ruas, o desfile ganha o reforço das 280 crianças da rede municipal de ensino, de quatro carros alegóricos e de três plataformas móveis, tudo inspirado no tema "Um Sonho de Natal".

"O espetáculo narra o sonho de uma criança e faz uma viagem ao universo infantil. Fazem parte desse sonho os doces, os brinquedos e os super heróis", diz Goshima.

A programação ainda inclui performances da GDFLMA (Grupo de Dança da Fundação Lia Maria Aguiar), dirigido pela bailarina Vanessa Ellias, que apresentará na íntegra o espetáculo "Quebra Nozes", além do "Balé Coppélia" e outras coreografias. O grupo de teatro e coral das escolas rurais Matadouro e Taquaral também subirão ao palco do Parque Temático.

SHOWS - Ainda integram a programação do projeto "Natal dos Sonhos" diversos shows, de artistas renomados, abertos ao público e com entrada franca.

"Contaremos com a presença do grupo Demônios da Garoa, do Trem da Viração e da dupla César Menotti e Fabiano. Somente o último funcionará com o esquema de ingressos solidários, que serão trocados por 10 quilos de alimento", afirma Goshima.

DOCE NATAL - A programação organizada pela Fundação Lia Maria Aguiar complementa as atividades desenvolvidas pelo projeto "Doce Natal" promovido pela Prefeitura de Campos do Jordão e pelo empresariado local, que ficou responsável pela "Casa do Papai Noel", além da Temporada Gastronômica de Natal e da Exposição de Mesas e Cardápios Natalinos, que também têm como sede o bairro do Capivari.

Segundo a organização do projeto "Natal dos Sonhos", só o Parque Temático deve receber 250 mil pessoas até o dia 10 de janeiro de 2010.

domingo, 29 de novembro de 2009


José Luiz de Souza MesquitaChef executivo de Taubaté fala de sua afinidade e amor pela gastronomia que o levou até para cozinhas internacionaisTaubatéAndré Leite


José Luiz de Souza Mesquita é o tipo de pessoa com quem você passa horas conversando sem sentir o tempo passar. O atual chef executivo do San Michel Palace Hotel, em Taubaté, já trabalhou nos restaurantes mais conceituados do Rio de Janeiro e São Paulo. Em entrevista ao valeparaibano, com muita simpatia, ele nos contou um pouco sobre a sua trajetória.



Como foi a sua primeira experiência com cozinha?

Quando terminei o ensino médio, meu irmão já trabalhava há um ano como cozinheiro em um restaurante no Rio de Janeiro. Ele vivia me convidando para trabalhar com ele, até que um dia aceitei. Comecei como ajudante de cozinha, lavando a louça, mas achava aquele lugar muito agitado e barulhento. Mas aos poucos fui me adaptando.



E quando teve a oportunidade de trabalhar como cozinheiro e depois como chef?

O meu gerente me levou para trabalhar em outra empresa. Um dia o cozinheiro faltou e eu assumi o lugar dele. Acabei ocupando a vaga durante um ano. Depois de algum tempo recebi a proposta para trabalhar no restaurante lá do morro da Urca, onde me tornaria chef do meu irmão, aquele que tinha me convidado para o primeiro emprego de ajudante. Depois disso fui convidado pelo chef executivo do "Copacabana Palace" para assumir o restaurante do hotel. Lá fiquei por dois anos e meio, e logo em seguida fui para o "Clube de Golf" do Rio.



Depois disso você veio para São Paulo?

Na verdade eu estava no restaurante Mesquita, da Claudia Vasconcellos Marques. Tínhamos feito um jantar para 5.000 pessoas, no hotel Marina da Glória para a TV Globo. Era a final do Prêmio Multishow. Nessa noite, o gerente do Terraço Itália me convidou para trabalhar com ele em São Paulo. Eu fui e fiquei por três anos. Saí do Terraço Itália para remodelar o cardápio do bufê da Leila Maluf, em Cuiabá (MT) pois ela recebia políticos e fazia eventos importantes e precisava de um cardápio mais elaborado. Depois de Cuiabá voltei para São Paulo, para a Mercearia do Conde (cozinha tailandesa), até que o Paulo Tadeucci, proprietário da Toscana, em Taubaté, me trouxe para inaugurar a Toscana do Shopping. Foi um sucesso. Fomos eleitos por dois anos como "A melhor casa italiana do Vale do Paraíba".



Como foi trabalhar no Terraço Itália?

Muito marcante. Consegui elevar o número de refeições mensais de 9.000 para 11 mil. Também consegui fazer uma grande redução de custos.



Hoje você é chef de cozinha do Skydeck?

Chef executivo. Um mês depois que sai da Toscana fui convidado para fazer um evento no San Michel Palace Hotel. Acabei ficando durante um mês aqui até ser convidado para ser chef de cozinha do restaurante. Mais aí logo surgiu o projeto do Skydeck e passei a administrar os dois.



E a sua experiência como professor do Senac?

Foi uma experiência muito gratificante porque coloquei diversos alunos meus no mercado de trabalho. Tenho ex-alunos que trabalham na República Tcheca, no Japão, na Angola...



Você também já trabalho no exterior, não é?

Sim. Em 1997 participei de um concurso, disputado por todas as escolas de gastronomia do Senac, em que os chefs treinam um aluno que o representa elaborando um prato. Aí meu aluno venceu a competição. Ele ganhou um treinamento no Caesar Park, no Rio de Janeiro, e eu no Meson, na Suiça. Lá aprendi muitas coisas. Várias não se aplicam no Brasil, porque são coisas que encarecem muito as receitas, mas aprendi, por exemplo, como lidar com molhos.



Qual habilidade é indispensável para um chef?

O chefe precisa conhecer o que está fazendo. Ele é como um homeopata. Não pode sair jogando tudo o que vê pela frente dentro da panela. Ele tem que saber agregar sabores. Eu, por exemplo, faço uma fusão de comida tailandesa com italiana, mesclo desde os sabores até o modo de montar. Minha maior felicidade é preparar um prato, e depois ver que ele voltou vazio. Antigamente a cozinha era lugar de quem não tinha oportunidade para estudar, mas hoje você tem que ser profissional.



Você acha que as escolas de gastronomia tem papel importante nesse contexto?

Antes de falar do Brasil vou dar um exemplo da França. Lá, aos 13 anos o jovem que decide pela área da gastronomia já começa a estudar. Depois de cinco anos ele sai da escola formado. É impressionante porque eles reconhecem pelo cheiro o tempero que está sendo usado.



E o que você acha desses chefs que dizem ter "segredos" que não podem ser revelados?

Muitos deles não têm o verdadeiro conhecimento, não têm certeza do que fazem e por isso são inseguros. Há vaga para todo mundo, que é bom é claro. Ninguém tira o espaço de ninguém, e quem é bom de verdade escolhe onde quer trabalhar. Eu faço questão de ensinar tudo o que aprendi. Fui fazer escola de gastronomia depois de ter trabalhado três anos como chef de cozinha. Fiz a prova com 10 caras, nessa época eu tinha 26 anos, e me tornei o chef mais novo do Senac do Rio de Janeiro. O chef é um pesquisador e um propagador de informações.



O que o chef Mesquita gosta de fazer quando está de folga?

Tocar violão. Aliás, aprendi a tocar violão por acidente. Estava abastecendo o freezer de bebidas e uma das garrafas estourou e rasgou meu braço. Perdi tanto sangue que entrei em coma. Depois vieram as complicações porque o líquido do meu cotovelo secou e não conseguia mexer o braço mais. Ai o médico me sugeriu, como fisioterapia que eu emprestasse o violão de alguém e tentasse tocar. Deu tão certo que toco até hoje. Cheguei a ajudar um amigo a compor o samba da escola Tradição, em 1995. Era meu sonho! Achava que aquilo era uma prova de cultura sem tamanho. Na ocasião escrevemos sobre a história da roda.

domingo, 22 de novembro de 2009



Tem gringo no sambaApós conhecer música brasileira em S. José, grupo finlandês Maria Gasolina faz sucessos com versões da MPBSão José dos CamposAndré Leite


foto: divulgação

"Quem não gosta de samba bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé". O trecho do "Samba da Minha Terra", de Dorival Caymmi, nunca teve nada de pretensioso. A nossa MPB faz sucesso há muito tempo, mundo afora, e a prova mais recente disso é o fenômeno de vendas do grupo Maria Gasolina. De origem finlandesa, a banda vem se destacando no país, tocando versões de músicas brasileiras.


A história começou há mais de 10 anos, quando a vocalista do grupo, Lissu Lehtimaja, teve a oportunidade de conhecer Caetano Veloso e Milton Nascimento. Na ocasião, a jovem estava em São José dos Campos, fazendo um intercâmbio cultural e ficou apaixonada pela nossa música.

Interessante é que o repertório da banda não tem espaço só para as canções mais antigas, como "Na Rua, na Chuva, na Fazenda" (Hyldon) e "Saudade Fez um Samba" (Carlos Lyra). Lissu também roubou o "Cara Valente" da musa da nova MPB, Maria Rita.

O segundo CD do Maria Gasolina, "Ma olen sun" (2008), um dos mais vendidos na Finlândia, ainda traz outras três versões de músicas de Jorge Ben Jor - "Bebete Vãobora", "Pulo Pulo" e "Carolina Carol Bela" e, é claro que não poderia faltar um grande sucesso na voz de Elis Regina. "Haloo haloo marsilainen" é a versão nórdica de "Alô Alô Marciano". E não pense você que Lissu resistiu ao jeito divertido de Elis de interpretar a canção. A sonoridade também ficou bem parecida com a original.

O primeiro álbum do grupo, "Se jokin" (2006), não fez tanto sucesso quanto o segundo, mas abriu as portas para a nossa música no país. As traduções despretensiosas de Lissu foram ganhando espaço e os finlandeses provaram que não são maus sujeitos. Agora, influenciados por tanta música boa, só precisam aprender a sambar como nós.

Mas a história do Maria Gasolina não é fato isolado. Muitos outros compositores brasileiros já ouviram suas composições na voz de intérpretes de outras nacionalidades.

VERSÕES - Sérgio Mendes lançou em 1966 uma versão da canção "Mas que nada" em seu album "Sérgio Mendes & Brazil '66 " e se tornou um grande sucesso nas paradas norte-americanas. A partir daí surgiria outras inúmeras versões feitas por artistas renomados como Ella Fitzgerald, Al Jarreau, Trini Lopez e José Feliciano.

Em 2004, o grupo Black Eyed Peas entrou para a lista dos artistas que regravaram a canção de Mendes. A versão "Hey Mama", do álbum "Elephunk" fez grande sucesso na Europa e chegou a lista das mais tocadas na parada "Hot Dance Music/Club Play", da Billboard. No mesmo álbum, o Black Eyed Peas fez outra declaração de amor à música brasileira usando samples da bossa nova "Insensatez", de Tom Jobim, na faixa "Sexy".

Falando em bossa, "O Barquinho", de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, já ganhou uma interpretação oriental, na voz da japonesa Tomoko Nozawa, que canta várias músicas em português. E se é difícil entender Tomoko, o que dizer da islandesa Bjork, cantando "Travessia", de Milton Nascimento?

Outra japonesa que se rendeu aos encantos da MPB foi Miho Hatori. Mas desta vez, a música escolhida foi "Paraíba" do pernambucano Luiz Gonzaga. O Rei do Baião também conseguiu emplacar algumas versões de "Asa Branca" (White Wings) fora do país. O clássico da música brasileira foi regravado por artistas estrangeiros, como o grego Demis Roussus, e o escocês David Byrne.

"A Banda", depois de ter dado o prêmio do Festival de Música Popular Brasileira para Chico Buarque (1966), também virou produto de exportação e ganhou o mercado alemão na voz da francesa France Gall. No final da década de 1960, a cantora ficou conhecida no país e seu repertório contemplava "Zwei Apfelsinen im Haar", uma versão da canção de Chico.

Voltando um pouco mais na história, vale a pena lembrar da alemã Marlene Dietrich que se apresentou ao vivo no Rio de Janeiro em 1959. Entre as canções interpretadas no show estava a emocionante versão de "Luar do Sertão", de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco.


Música Vinicius e Tom Jobim divulgaram Brasil no mundoPixinguinha foi outro nome que expandiu as fronteiras da música nacionalSão José dos CamposAndré Leite

foto: divulgação

É claro que não poderíamos falar da influência da MPB no cenário mundial, sem citar as importantes participações de Vinicius de Moraes e de Tom Jobim. Quem não se lembra da versão "The Girl from Ipanema" na voz do saudoso Frank Sinatra.

Mas a idealizadora e curadora da Semana da Canção Brasileira, realizada em São Luís do Paraitinga, Suzana Salles, lembra que mesmo antes da bossa nova romper as barreiras nacionais e conquistar inúmeros fãs estrangeiros, Pixinguinha já era respeitado lá fora.

"Pixinguinha consegui fazer uma troca bastante frutífera com músicos internacionais, principalmente com o Jazz e o Chorinho. Mas foi a Bossa que consolidou a aceitação da MPB e mostrou o quanto nós poderíamos ser originais com nossa música", afirma Suzana. Quanto ao Tropicalismo, apesar de incorporar várias influências, inclusive estrangeiras, Suzana acredita que sua função foi mostrar o quanto nossos artistas são criativos, revelando a nossa diversidade.

Chistopher Dunn, professor da Tulane University, em New Orleans, escreveu um livro, em 2001, intitulado "Brutality Garden: Tropicália and the Emergence of a Brazilian Counterculture" (Jardim da Brutalidade: Tropicália e a Emergência da Contracultura Brasileira), onde faz referência ao movimento.

Em um de seus artigos Dunn afirma que o estopim para provocar uma mudança em como a música brasileira era ouvida no exterior foi o lançamento do álbum de Tom Zé, o "Massive Hits" (1990), uma coletânea de músicas gravadas na década de 1970.

"Eu comecei a escutar a música popular brasileira quando estudava na faculdade em meados da década de 1980. Naquele tempo, a música brasileira era geralmente ouvida nos Estados Unidos como uma vertente latina do jazz, devido ao impacto profundo da bossa nova nos anos 60. Milton Nascimento, por exemplo, não era conhecido por seu trabalho junto com o Clube da Esquina, e sim por sua colaboração com o saxofonista Wayne Shorter no disco Native Dancer de 1975, uma marca na história do jazz fusion", afirma o professor.

No mesmo artigo, ele conta que Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa eram comentados, mas a Tropicália não era conhecida fora do circuito universitário de alguns professores brasilianistas e seus alunos.

O album de Tom Zé, segundo Dunn, chegou com a força de uma revelação: música popular brasileira "de vanguarda" que dificilmente podia ser enquadrada dentro do esquema world music, apesar de ser premiada nessa categoria pela revista Billboard.

A cantora Suzana Salles acredita que ainda há muita coisa para ser mostrada lá fora e que muitos outros grupos, como o filandes "Maria Gasolina", vão recorrer 'às nossas preciosidades'. "Na semana que vem acontece uma mostra de viola em Londres, e dois brasileiros estarão lá: Pereira da Viola e Ivan Vilela. Isso porque é cada vez mais comum a presença de brasileiros em festivais internacionais de música. Aqui temos uma mina de ouro e tomara que eles (músicos estrangeiros) continuem descobrindo isso", diz Suzana.


Veja as versões citadas na matéria neste link:

http://www.valeparaibano.com.br/valeviver/



Giuseppe AmbrosanoCap de um dos pontos comerciais mais tradicionais de São José conta os segredos do seu sucessoSão José dos CamposAndré Leite

foto: Diego Migotto

Giuseppe Ambrosano, aos 63 anos, se sente uma homem realizado. Sem grandes ambições, ele administra, ao lado da esposa e do casal de filhos, um dos pontos comerciais mais tradicionais da cidade, a Marinella Doceria. O italiano veio para o Brasil ainda criança e aqui descobriu o gosto pelo trabalho de confeiteiro e salgadeiro.



Como o senhor começou a trabalhar com confeitaria?

Foi aqui no Brasil. Minha família tinha acabado de chegar da Itália e nós fomos morar em São Paulo. Um primo meu tinha padaria na Mooca e, como meu pai não queria que eu ficasse na rua, me levou para trabalhar com ele. Lá aprendi a fazer doces, salgados e tudo o que sei hoje.



Como o senhor chegou a São José dos Campos?

Vim para São José dos Campos logo depois que casei, em 1970. Recebi a proposta de um dos meus melhores clientes lá de São Paulo para vir para cá e montarmos, juntos, nosso negócio. Foi quando nasceu a Antonella, onde fiquei por oito anos.



A Marinella também nasceu dessa sociedade?

Não. Eu vendi minha parte da Antonella porque meu sócio queria colocar um gerente para administrar nosso negócio. Mas eu e minha mulher estávamos acostumados a trabalhar e não aceitamos a proposta. A Marinella foi inaugurada em janeiro de 1984. Foi um sucesso, pois nós recebemos mais de 500 pessoas aqui naquele dia. Mais foi um projeto que nasceu do zero, com muito sacrifício, esforço e acima de tudo trabalho.



A que o senhor atribui esse sucesso?

Logo no início coloquei as mesas lá fora, para que os clientes pudessem ficar mais à vontade. Era uma proposta nova e foi aprovada por todos. A Marinella virou ponto de encontro nos finais de semana. Aliás era uma época boa, o povo chegava a fechar a rua. Não se via uma briga. Era a mehor mocidade de todos os tempos. Hoje muitos daqueles jovens trazem seus filhos para conhecer nossa casa, é muito gratificante.



A cozinha da Marinella esconde algum segredo de confeitaria?

Nós trabalhamos com produtos naturais, frescos, essa é a diferença. A grande maioria dos estabelecimentos, hoje, trabalha com produtos industrializados, chantilly de caixinha e por aí vai. A aparência é ótima, mas o gosto...



O senhor não pensa em montar filiais da Marinella?

Não. E não foi por falta de proposta. Já recebi vários convites para abrir franquias, mas acho que não compensa. Você demora anos para construir uma imagem e conquistar a confiança do público. De repente abro uma franquia e um funcionário que não sabe trabalhar direito pode me comprometer. Estou muito satisfeito com o resultado do meu trabalho, recebi vários prêmios com indicação do estabelecimento. Zelo muito pelo respeito com os funcionários, fornecedores e clientes, principalmente. É fundamental qualidade no atendimento. Por isso gosto de acompanhar tudo de perto. Fico aqui no balcão do caixa observando se meus clientes estão satisfeitos.

]

Qual a dica que o senhor dá para quem está entrando nesse ramo agora?

Sempre trabalhei honestamente. É assim que você consegue sobreviver do comércio. Hoje vejo muitos jovens montando negócio achando que vão recuperar o dinheiro do investimento e ter lucro em alguns meses. É ilusão.



A Marinella também servia bufês. Por que pararam?

Até uns cinco anos atrás eu fazia bufês para festas e confraternizações. Mas comecei a me desanimar com a falta de garçons capacitados. Os melhores estão trabalhando nos grandes restaurantes. Os mais novos não sabem trabalhar. Você vai em festa hoje, as coisas ficam na mesa para você se servir. Não é mais como antigamente.



Falta gente qualificada nessa área?

Sim e isso é sério. Estou cansado porque não consigo achar bons profissionais nessa área. Hoje todo mundo que fazer informática. Os confeiteiros e salgadeiros estão s
umindo.



Cozinhas abertasReportagem do valeparaibano visita cozinha de cinco restaurantes da região e constata: consumidor exerce pouco os seus direitosSão José dos CamposAndré Leite


Comer fora de casa faz parte da rotina de milhões de trabalhadores brasileiros e pesquisas recentes mostram que esse número tende a crescer significativamente nos próximos anos devido à correria do dia a dia, o difícil trânsito entre o local de trabalho e a residência, ou, simplesmente, pela comodidade. Mas será que essa parcela da população se preocupa com a qualidade dos alimentos consumidos e conhecem os ambientes onde eles são preparados?

Em 2004, o então deputado Adelor Vieira (PMDB/SC) criou o projeto de lei 3715/04, que dispunha sobre a permissão de acesso aos seus clientes, às cozinhas dos estabelecimentos fornecedores de refeições em todo território nacional.

Orientada por essa lei, a equipe de reportagem do valeparaibano visitou, na última semana, cinco estabelecimentos, sendo quatro de São José dos Campos e um de Taubaté, a fim de comprovar o cumprimento ou não da mesma. Entre os estabelecimentos visitados em São José dos Campos, estavam o Barbaresco (Vale Sul Shopping), a Cantina da Nena, o Macarronada Italiana e o Bar Coronel. Em Taubaté, o restaurante Toscana.

Para realizar o teste, nossa equipe foi orientada a não se identificar, realizar uma refeição em cada local visitado e, em seguida, pedir para conhecer a cozinha do estabelecimento. O objetivo era que nosso pedido fosse recebido como o de qualquer outro cliente.

Dos cinco restaurantes visitados, nenhum negou acesso às dependências onde os alimentos são higienizados e preparados e também não apresentaram nenhuma deficiência aparente. Lixos fechados, ambientes limpos, manipuladores de alimentos paramentados e alimentos devidamente conservados.

Todos os fornecedores de refeições foram comunicados, posteriormente, sobre o objetivo da visita realizada pela reportagem do jornal e tiveram a oportunidade de expressar suas opiniões sobre o assunto.

RESTAURANTES - Segundo a proprietária do restaurante Barbaresco, Tânia Maria de Oliveira, muitas pessoas se sentem seguras quando estão usufruindo dos serviços oferecidos por empresas que possuem uma marca forte, e isso pode ser uma justificativa para o fato de que o número de consumidores interessados em conhecer as cozinhas desses estabelecimentos seja reduzida.

"Outro fator que influencia é a correria do dia a dia. Normalmente nossos clientes estão em horário de almoço e não tem muito tempo. Por isso ficamos dias sem receber pedidos como esse, às vezes até semanas. Mas sempre que é feita a solicitação, atendemos prontamente e nos sentimos orgulhosos", afirma Tânia.

Na Cantina da Nena, o convite para conhecer os ambientes onde os alimentos são manipulados e preparados parte da direção da casa. "Quando percebemos que é um cliente que vem ao restaurante com uma certa freqüência, faço o convite para que ele conheça nossa cozinha. Acho que é importante, afinal não temos o que esconder", diz Renato Sarlo, gerente de alimentos e bebidas da Cantina.

Para Rosa Okamoto, proprietária do Macarronada Italiana, esse tipo de atitude faz parte de uma cultura ainda pouco estimulada, e os números não deixam mentir. Paulo Tadeucci, proprietário do restaurante Toscana, divide a opinião com Rosa e afirma que se o quadro mudasse, todos seriam beneficiados.

"Os proprietários dos restaurantes se sentem estimulados com esse tipo de atitude, afinal é um incentivo para que a equipe mantenha tudo dentro da ordem e com melhor qualidade possível. Quem ganha com isso é o cliente", diz.

O gerente do Bar Coronel, Cristiano Wilson dos Santos, acredita que o baixo número de clientes interessados em conhecer os espaços onde os alimentos são preparados, no bar, está ligado ao fato de a cozinha ter boa vizibilidade, tanto pelos clientes que estão próximos ao balcão, quanto pelos que estão do lado de fora, na calçada.

"Mas isso não justifica a falta de interesse com outros ambientes que não possuem essa estrutura física como a nossa. Acho que é algo importante, um hábito que precisa ser trabalhado".


Restaurantes confirmam a pouca frequênciaSão José dos Campos

Se de um lado registramos a disponibilidade das equipes dos estabelecimentos em receber seus clientes nos ambientes onde os alimentos são higienizados e preparados, de outro, constatamos a despreocupação dos consumidores com a qualidade dos serviços oferecidos nesse tipo de estabelecimento.

Todos os proprietários dos restaurantes afirmaram que esse tipo de pedido é feito com pouca ou nenhuma frequência. No Procon (Orgão de Defesa do Consumidor) das duas cidades também não há registros de reclamações nesse sentido.

A assessoria de imprensa do Procon-SP afirma que área de alimentos, em 2007, foi responsável por apenas 51 das 22.831 reclamações fundamentadas. O equivalente 0,22% do total. Nenhuma delas se refere à empresas que servem refeições. Por essa razão, a Fundação não desenvolve nenhum ranking específico no setor de alimentos.

Apesar da fiscalização dos alimentos ser realizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em parceria com os orgãos municipais das secretarias de Saúde, Adelor Vieira previa no seu projeto de lei a deficiência dos orgãos fiscalizadores com relação à mão de obra disponível e sua proposta era que os próprios consumidores se tornassem 'agentes de fiscalização'.

"Aqui na região a Vigilância Sanitária é bem atuante. Recebemos visitas a cada quatro meses, em média, mas isso não justifica a comodidade dos consumidores", afirma o gerente Cristiano.

terça-feira, 3 de novembro de 2009



Aloísio AmaralMister Terceira Idade fala sobre sua família de músicos, o trabalho na produção artística e lembranças de outros temposSão José dos CamposAndré Leite

foto: Bruno Fraiha

Mineiro de Juiz de Fora e joseense de coração há 50 anos, Aloisio Amaral diz que acabou de receber um prêmio dessa cidade: foi eleito o Mister Melhor Idade e irá representar São José dos Campos no concurso estadual que será realizado no dia 29, na capital. O que nem todo mundo sabe é que o Mister de 62 anos, com 5 filhos e 8 netos, vem de uma família de 28 músicos e que foi um importante promotor de eventos da região.



Como o senhor foi escolhido para representrar a cidade no Mister Estadual da Melhor Idade 2009?

Eu participo das atividades da Casa do Idoso e recebi um convite para participar do Mister Melhor Idade da cidade. Para a minha surpresa, fui o primeiro colocado. Agora vou participar da seleção estadual, que acontece no dia 29, no Simon Bolivar, no Memorial da América Latina. Mas nunca havia participado de desfiles. Eu sempre estive nos palcos, mas apresentando shows.



Você trabalha há 40 anos com promoção de eventos. Como você se interessou por essa área?

Eu recebi um convite, na década de 1970, do meu grande amigo Sérgio Weiss para juntos montarmos a "Ímpar Representações Artísticas". Com essa empresa nós levamos o nome dessa cidade para mais de 600 cidades do país. Naquela época trabalhávamos com conjuntos como o Biriba Boys, a Brazilian Modern Six, o Esquema Novo e a Século Vinte. Além disso tive a oportunidade de trazer para o país alguns nomes importantes da cena musical internacional, como Johnny Mathis, The Platters, Manolo Otero e o grande Ray Conniff.



E dos artistas brasileiros, há alguma história interessante?

Há várias! Uma vez tive o prazer de entrevistar a Elis Regina. Na época eu tinha um jornal, o Ímpar News, que era uma publicação mensal. A cada mês nós homenageávamos um clube e um artista. Aí consegui chegar até a Elis e ela me concedeu uma entrevista de 40 minutos, em São Paulo. Foi um momento especial e muito emocionante. Uma outra situação, desta vez engraçada, foi durante um show que o Sérgio Reis veio fazer aqui em São José, no aniversário da cidade. No mesmo dia o Palmeiras iria enfrentar o Corinthians e ele me desafiou. Ele é palmeirense e se o time dele perdesse ele iria vestir a camisa do Corinthians durante o show... e foi o que aconteceu. Outra coisa muito bacana desse trabalho foi poder receber o Gonzaguinha e o Djavan na minha casa. Eles diziam que tinham prazer em ficar hospedados na minha casa. Quando vinham pra cá traziam a família toda, comiam o que minha mãe preparava. O bom é que eu não tinha grandes despesas (risos)



O festival "Sabiás de Ouro" também era organizado por você?

Sim e esse era um projeto muito legal que realizávamos no Cine para Todos, na rua Coronel Monteiro. O falecido Taiguara era um dos jurados desse evento. Alguns dos vencedores desse festival foram os compositores Roberto Wagner e o Jota Moraes e o cantor Luiz Antonio, que foi vocalista do Biriba Boys e morreu em Paris, depois de ter feito 20 anos de sucesso lá.



Por conta desse envolvimento com música você também chegou a gravar um CD?

Sim, eu sempre gostei muito de música. Quando tive a idéia de gravar o CD não queria que ele tivesse fins comerciais. Gravei para poder presentear meus grandes amigos. Selecionei 10 músicas românticas que gosto e aproveitei a família musical que Deus me deu e reuni todo mundo nesse trabalho.



Na sua família também há muitos músicos?

No total são 28 músicos profissionais. Alguns deles muito conhecidos como o maestro Aluizio Pontes, o Jota Moraes (Maria Rita), Caixote (Faustão), o Maurício Piassarolo (Pe. Fábio de Melo), o Dodo (tecladista do Zé Ramalho há 13 anos), entre outros. Dos meus cinco filhos, só o Beto não é músico. O André, o Renato, o Branco e a Preta Pontes formaram um grupo, o "Tudo a Ver", que hoje se chama "Sonho Família".



Você também compõe?

Sim. Inclusive há uma história bacana sobre isso. Compus uma música, em 2007, intitulada "Sempre", durante um período que passei com minha mãe em Juiz de Fora. Aí o Aluizio Pontes fez uma parceria comigo e colocou a melodia. Agora recebemos a grande notícia de que "Sempre" será gravada pelo querido padre Fábio de Melo.



Você organizou grandes eventos aqui na cidade e até em Brasília, para os ministros e senadores. Como foi essa experiência?

O Mário Galvão era funcionário da Embraer e conhecia o trabalho da nossa empresa de eventos. Quando ele foi trabalhar em Brasília, no início da década de 1970, nos indicou para organizar esse baile. O avião do então presidente veio nos buscar aqui. Na ocasião levamos a Brazilian Modern Six para tocar.



E os bailes que você promovia aqui na cidade?

Isso foi na época do Estrela Dalva Dança que era um clube que ficava na região onde hoje é o CenterVale. Nós mantivemos a casa aberta por 10 anos e a cada final de semana reuníamos cerca de 3.000 pessoas na casa. O sucesso era garantido com a qualidade das músicas e conjuntos que apresentávamos. Infelizmente hoje há pouco espaço para esse tipo de evento.



Você acha que isso se deve ao fato do jovem ter perdido um pouco desse romantismo?

Há uma série de fatores. Na minha época os músicos tocavam de verdade, não havia playback. Os conjuntos que se apresentavam pela minha empresa também ganhavam a quantia justa por cada show apresentado. Eles liam partitura, e isso era uma demonstração de respeito ao público. A música bem tocada hoje é pouco valorizada. Uma pena porque ela poderia orientar e educar a nossa juventude, sem falar que ouvir música de qualidade é uma terapia. É por isso que continuo lutando por ela, com minha empresa, a Aloisio Amaral, que já realizou mais de 5000 eventos, e a orquestra Silver Star.