segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Taubaté prevê ações nos bairrosAlém do Vale do Paraíba, o Brasil deve receber bons shows e algumas estreias cinematográficas já esperadas para este anoAndré Leite

São José dos Campos

Depois de mais de dois anos fechado, o Teatro Metrópole, em Taubaté, foi reaberto em dezembro de 2009 e dinamizar a programação do espaço é uma das metas da diretora do DMTUC (Departamento de Meio Ambiente, Turismo e Cultura), Cíntia Manfredini.

Assim como em São José dos Campos, a descentralização das ações culturais deve movimentar os bairros com projetos como o Show Itinerante, o Teatro nos Bairros e o Dançando nos Bairros. Este último deve levar o Balé da Cidade para se apresentar em escolas municipais.

Também está previsto para 2010 o início do restauro da Vila Santo Aleixo e do Museu Histórico Folclórico e Pedagógico Monteiro Lobato - Sítio do Pica Pau Amarelo, um dos pontos turísticos mais visitados na cidade.

"Entendo que uma das marcas culturais desse governo é a abertura ao diálogo com a comunidade. Esse diálogo irá se multiplicar muito, com a criação do Conselho de Cultura", afirma Cintia.

CAÇAPAVA - A Secretaria de Cultura, Esportes e Lazer de Caçapava mantém, em 2010, os projetos de fomento à leitura e à escrita, de formação de plateia para o cinema e de formação cultural.

Segundo informações da Secretaria de Cultura, a partir de fevereiro o projeto Encontro com as Letras, palestras no formato de bate papo com escritores de renome, passará a ser realizado em edições mensais.

Os membros da Academia Caçapavense de Letras também devem continuar promovendo o "Autor vai à Escola", visitando escolas da rede pública e privada com a intenção de aproximar a instituição do público.

O Cine Férias ganha mais duas edições, uma em janeiros e outra em julho, com três sessões diárias gratuitas para o público infantojuvenil, no Cine Vogue. O espaço também sediará o Quinta no Cinema que exibirá filmes do circuito comercial. O ingresso será um quilo de alimento, destinado ao Fundo de Solidariedade.

Entre os projetos novos está o Cinema nos Bairros, com início previsto para março o programa fará a exibição semanal de filmes nacionais e estrangeiros em todos os bairros do município, em centros comunitários e praças públicas.

Também serão oferecidas 34 oficinas culturais, nas áreas de música, dança, artesanato, literatura e artes plásticas. Só as aulas de teatro oferecerão 2000 vagas gratuitas.

Na programação de eventos que já fazem parte do calendário da cidade também há novidades. O Carnaval de Marchinhas , em 2010 ganha dez novos bonecões, que homenagearão personalidades ligadas à cultura de Caçapava e também figuras que povoam o imaginário popular. O aniversário da Cidade, em abril, contará com shows musicais e exposições. A Festa São João de Caçapava, em junho, promoverá um Festival de Música Caipira e a Semana do Folclore, na última semana de agosto, além de exposições, danças e show musicais, deve apresentar um videodocumentário que registra aspectos da cultura popular do município.

2010 na culturaO valeparaibano adianta para você o que está sendo programado para este ano na área culturalSão José dos CamposAndré Leite

Diz a letra: "A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte". E quais são as perspectivas da cultura para 2010? Nossa equipe de reportagem foi conferir o que está no planejamento dos administradores responsáveis pela cultura na nossa região. Apesar de contar com lideranças aparentemente empolgadas e confiantes, muitas das propostas revelam uma política cultural ainda tímida e sem grandes novidades. Por outro lado, alguns projetos interessantes, se saírem do papel, poderão render bons frutos.

Em São José dos Campos, a FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo) irá praticar a descentralização da cultura, ação que já era colocada como meta em administrações anteriores e também está presente no planejamento de outras cidades, como Jacareí e Taubaté. A proposta é que a verba de cultura seja direcionada aos espaços culturais da cidade.

"Levando cultura para os bairros nós iremos descobrir novos talentos e levar a linguagem da arte para que a população possa conhecê-la, passe a se interessar por ela e assim comece a formar plateia", afirma o presidente da FCCR, Mario Domingos de Moraes.

A partir de 2010 a FCCR contará com um planejamento estratégico, o que, segundo Moraes, até então era inexistente. Nesse contexto, a população passará a ser tratada como cliente da Fundação.

"Isso irá nos ajudar a atingir nossos objetivos. Antes era confuso, não sabíamos se as ações deveriam ser direcionadas ao povo ou ao artista. Hoje estamos esclarecidos de que o artista é nosso parceiro e irá nos ajudar a agregar valores às pessoas para que elas possam exercer a cidadania", diz o presidente da FCCR.

PROJETOS - Dentro do programa de fomento à cultura, um dos projetos da Fundação Cultural Cassiano Ricardo prevê a realização de pelo menos seis apresentações da Orquestra Sinfônica, num total de doze, em diferentes espaços culturais da cidade. As demais continuam a ser realizadas no Teatro Municipal.

O Festival de Bandas e Fanfarras, realizado em 2009 no Campos dos Alemães, deve ganhar novas edições, em outros bairros, em 2010.

Outra proposta que deve ser colocada em prática é a criação da Cia de Dança Jovem. Atualmente, o grupo da cidade é formado por bailarinos profissionais mais velhos, vindos de outras localidades.

"Uma dos nossos objetivos é movimentar a cultura. Primeiro descobrimos um novo talento, depois o formamos com cursos e assim temos um artista preparado para integrar a Cia de Dança, o Coro Jovem, a Orquestra Sinfônica...", afirma Mário Domingos de Moraes.

Outra novidade interessante é o "Cinema em Movimento". O projeto foi inspirado em uma ação realizada na cidade de Presidente Prudente, onde uma Kombi funciona como projetor e tela de cinema e visita diferentes bairros do município.

O presidente da Fundação Cultural lembra que todos os projetos serão desenvolvidos sempre respeitando a vocação cultural de cada bairro. E, nos bairros que não possuírem um centro cultural, as ações serão feitas por meio de parcerias com escolas, e outros espaços públicos ou privados.

Ainda em janeiro, deve funcionar o "Cultura não tira férias" que promoverá diversas oficinas culturais de artes visuais, cultura popular, dança, teatro, literatura e música.

Também estão previstas, no planejamento de 2010, duas edições do seminário para discussão da política cultural, novas feiras itinerantes do projeto "Artesanato e moda urbana" e a criação da Escola de Artes autosustentável, não atrelada ao poder público.

JACAREÍ - A Fundação Cultural de Jacarehy José Maria de Abreu, tem orçamento de R$ 3.6 milhões previsto para 2010. Um milhão a mais que a verba de 2009. Só a Lei de Incentivo à Cultura irá atender nove projetos, três a mais que no ano anterior. A verba subiu de R$ 362 mil para R$ 540 mil.

Entre os projetos que devem vigorar em 2010 está o Pró-Memória (em prol do arquivo histórico), a ampliação do Cultura para Todos (que leva atrações culturais aos bairros da cidade), a repaginação das Oficinas Culturais e de artesanato, que devem estar ligadas à Política Cultural do Município e a formação da Orquestra de Câmara da Fundação Cultural de Jacarehy.

Além disso, a Fundação prevê a criação do Conselho de Cultura, proposta que nasceu no Fórum de Cultura realizado em 2009, e a assinatura do Termo de Cooperação com o Ministério de Cultura para a implantação do programa Mais Cultura.

No mês de julho, o Museu de Antropologia do Vale do Paraíba irá sediar a 1º Bienal de Artes Plásticas. A cidade deve promover, ainda, um Festival de Teatro e a Semana Cultural Lieterária.

Os projetos Uma Noite no Museu e a Feira do Bolinho Caipira que, segundo informações da Fundação Cultural, fizeram grande sucesso em 2009, continuam na programação de 2010.

Luana CamarahLíder as bandas Turnê e Bionika, a cantora já apresentou-se nos programas 'Ídolos' e 'Astros', o que rendeu até um contratoTaubatéAndré Alves
www.bandaturne.com.br/

Luana Camarah tem 21 anos. Os últimos nove foram dedicados à carreira de cantora. À frente das bandas Turnê e Bionika, a jovem, dona de uma voz com timbre marcante, coleciona boas lembranças da 'estrada'. Já se apresentou em casas conceituadas, como o Hangar e Dublin, em São Paulo, e já participou dos programas "Ídolos" e "Astros". Neste último, a aparição da banda "Turnê" em rede nacional rendeu grande reconhecimento dos fãs, de diversas partes do país, além de um contrato com o escritório do produtor musical, e jurado do programa, Thomas Roth. No Vale, Luana já cantou para um público de mais de 18 mil pessoas e seu primeiro CD independente já vendeu mais de 10 mil cópias.



Quando você descobriu que tinha o dom de cantar?

Eu venho de uma família de músicos. Meu avô já tocava. Depois meu pai e meus irmãos também. Acho que está no sangue. Um dos meus irmãos toca em banda gospel, outro em banda de micareta... No final de semana cada um pega um violão e, juntos, fazemos um barulho. E quando disse em casa que ia cantar, o incentivo foi muito grande. Meu pai achou maravilhoso.



E quantos anos você tinha quando começou a cantar profissionalmente?

Comecei com 12 anos. Eu tocava na igreja e participava de diversos festivais de música católica, inclusive na Canção Nova. Ai o pessoal da banda Maria Preta me chamou para fazer teste de vocalista. Eles curtiram e eu fiquei... daquele jeito: sempre fui muito tímida e ficava nervosa ao me apresentar para o público.



Em seguida veio a Luana e Banda...

Isso! Eu já estava um tempo parada, enlouquecendo em casa, sem cantar, e meu irmão, que é baixista, me convidou para montar uma banda de rock. E conseguimos uma repercussão super boa. Foi quando eu consegui fazer meu nome, já que 'a Luana' estava à frente do trabalho. Tanto que, até hoje, as pessoas me vêem e falam 'Luana e Banda'. Nós tocávamos muito aqui no Vale. Tinha muita balada pra tocar, não ficávamos um final de semana sem fazer show.



E foi com "Luana e Banda" que você superou a timidez e adquiriu mais segurança no palco?

Foi. No começo, na Maria Preta, eu vivia num círculo fechado. Cantava numa banda de soul e black, então só ouvia aquilo. Não tinha outras referências de fora. E com Luana e Banda já comecei a ouvir rock, incentivada pelo meu irmão. E fui pegando, de cada estilo, aquilo que me servia. Meu pai, por exemplo, tocava chorinho. Para a formação do músico, quanto mais informação, melhor! Eu não tenho paciência para o metódico, aprendi tudo na raça.



E a Banda Turnê?

Foi formada a partir da mistura de dois projetos. Final de ano é sempre ruim para tocar, porque está em alta o axé... Aí o Xandão, que era da banda Gugles, me chamou para fazer um projeto de verão. Ai tocamos um mês e meio no 180, em Ubatuba, mas fazendo rock. Aí ele começou a tocar comigo no Luana e Banda, porque, até então, meu irmão era o único músico fixo que tocava comigo. Quanto tinha show, a gente fazia uma 'cata', formava um grupo e se apresentava. Ai o povo começou a levar a banda cada vez mais a sério...



Mas não era complicado para a banda não ter uma formação fixa?

É! Na verdade tinha, mas não tinha. Tinha os caras certos: quando não era o Joziel, da Gugles, era o João Mauro; quando não estava o Xandão, estava o Luciano. E se não tinha um, arrumávamos outro e ensaiávamos no dia de tocar.



Rolou alguma situação engraçada, por conta da falta de músico?

Várias! Nessa época tocávamos em muita festa de faculdade, churrascos... E uma vez o Joziel não pode ir e eu acabei tocando guitarra. Foi um desastre, mas toquei! Não consigo prestar atenção no que estou tocando e no que estou cantando, ao mesmo tempo. Foi 'no truque' (risos). Outra vez, o Joziel teve um problema pessoal e não pode nos acompanhar no 180 (Ubatuba). Sabadão, a balada bombando, nós fomos que fomos. No final o empresário ainda disse que gostou da banda e que eu tocava bem.



Você chegou a fazer barzinho?

Já fiz bastante. Quando surge algum convite e estou em casa sem fazer nada, vou lá e faço. Tenho um amigo, o Tiago Aguiar, que está costumado a fazer e que me acompanha. A gente 'meia' o cachê e faz um som!



Agora você também tem outra banda, a Bionika?

A Bionika é um projeto underground. E a gente não toca cover, só música própria. E ela já tem um ano. Até o CD está pra sair, está na finalização. E estamos no gás de fazer rock n roll. A banda Turnê tem um estilo mais pop rock, cover, e não deixa de ter um trabalho autoral. Mas eu queria uma banda que começasse já com o trabalho autoral. Porque ainda há muita resistência do público, quando você está fazendo cover, de ouvir a sua música própria. E abriu muito esse leque da música underground, por causa de bandas como NX Zero, Fresno, Strike e eles começaram assim. E o rock da "Bionika" é diferente do rock da "Turnê". É mais jovem!



A Turnê já tem um trabalho autoral, né?

Já, o "Sigo o Sol". Nós já vendemos 10 mil cópias. Para uma banda independente é um número muito importante. Esse CD tem dois anos e todas as letras são minhas. Também fiz a produção musical junto com o Helton Fagundes, que é um parceirão da banda.



E quais são seus projetos para 2010?

Ainda em janeiro ou, mais tardar, em fevereiro quero lançar o CD da Bionika que está mixando. Com a Turnê, começo a gravar o segundo disco. O primeiro foi muito autoral, agora queremos um CD que todo mundo faça junto pra rolar aquela energia... A "Turnê" é minha vida e não pretendo deixá-la.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Natal na serraCampos abre intensa programação dedicada aos festejos natalinos; na programação, balé, parada e showsCampos do JordãoAndré Leite




Shows, espetáculos de dança e paradas de Natal farão parte do projeto "Natal dos Sonhos", promovido pela Fundação Lia Maria Aguiar até o dia 10 de janeiro, na estância turística de Campos do Jordão.

Neste ano, a equipe de organização do evento tem um enfoque diferente e investe na inclusão social. Sediado no Parque Turístico do Capivari, o "Natal dos Sonhos" pretende atrair jordanenses das mais variadas classes sociais.

"Dentro da programação teremos a Parada de Natal que contará com a participação de 280 crianças da rede municipal de ensino e além de inserí-las socialmente e culturalmente, esperamos atrair também os pais e parentes dessas crianças para o Parque do Capivari, uma área nobre. Há um paradigma da população menos favorecida de acessar esse espaço turístico. Mas é algo que todos os jordanenses têm direito", afirma Luiz Goshima, gerente social da Fundação.

E o projeto não irá beneficiar somente a população local. Turistas poderão conferir, depois que a programação de Natal encerrar, os resultados positivos dos apoios e das parcerias feitas entre a Fundação e a iniciativa privada.

"O espaço nobre do Capivari precisava de uma reforma. Então nós criamos, além de um parque temático com decoração e ambientação inspirada no conto do 'Quebra Nozes', um projeto paisagístico que permanecerá após essa temporada", diz Goshima.

ESTRUTURA - O Parque Temático inspirado no conto do "Quebra Nozes" reúne uma série de atrativos, em diferentes ambientes, que promoverão a interação com os visitantes.

"Montamos um labirinto, na área ao ar livre, que conduzirá as pessoas até um presépio, aproveitamos também um espaço no interior da Estação de Ferro onde fizemos a ambientação do 'Reino dos Doces' e criamos uma tenda, onde serão realizados os shows e espetáculos de dança, num espaço de 1.000 metros quadrados, com capacidade para receber 1.500 pessoas", afirma Goshima.

PROGRAMAÇÃO - Um dos pontos altos do "Natal dos Sonhos" é a Parada de Natal que será realizada em três edições. A primeira acontece na noite de hoje, a partir das 19h30.

A abertura da Parada fica por conta da Bamflima (Banda Marcial Fundação Lia Maria Aguiar), regida pelo maestro Fúlvio Mendonça, que dará início à apresentação na Praça do Pinho Bravo, tocando temas natalinos.

Já nas ruas, o desfile ganha o reforço das 280 crianças da rede municipal de ensino, de quatro carros alegóricos e de três plataformas móveis, tudo inspirado no tema "Um Sonho de Natal".

"O espetáculo narra o sonho de uma criança e faz uma viagem ao universo infantil. Fazem parte desse sonho os doces, os brinquedos e os super heróis", diz Goshima.

A programação ainda inclui performances da GDFLMA (Grupo de Dança da Fundação Lia Maria Aguiar), dirigido pela bailarina Vanessa Ellias, que apresentará na íntegra o espetáculo "Quebra Nozes", além do "Balé Coppélia" e outras coreografias. O grupo de teatro e coral das escolas rurais Matadouro e Taquaral também subirão ao palco do Parque Temático.

SHOWS - Ainda integram a programação do projeto "Natal dos Sonhos" diversos shows, de artistas renomados, abertos ao público e com entrada franca.

"Contaremos com a presença do grupo Demônios da Garoa, do Trem da Viração e da dupla César Menotti e Fabiano. Somente o último funcionará com o esquema de ingressos solidários, que serão trocados por 10 quilos de alimento", afirma Goshima.

DOCE NATAL - A programação organizada pela Fundação Lia Maria Aguiar complementa as atividades desenvolvidas pelo projeto "Doce Natal" promovido pela Prefeitura de Campos do Jordão e pelo empresariado local, que ficou responsável pela "Casa do Papai Noel", além da Temporada Gastronômica de Natal e da Exposição de Mesas e Cardápios Natalinos, que também têm como sede o bairro do Capivari.

Segundo a organização do projeto "Natal dos Sonhos", só o Parque Temático deve receber 250 mil pessoas até o dia 10 de janeiro de 2010.

domingo, 29 de novembro de 2009


José Luiz de Souza MesquitaChef executivo de Taubaté fala de sua afinidade e amor pela gastronomia que o levou até para cozinhas internacionaisTaubatéAndré Leite


José Luiz de Souza Mesquita é o tipo de pessoa com quem você passa horas conversando sem sentir o tempo passar. O atual chef executivo do San Michel Palace Hotel, em Taubaté, já trabalhou nos restaurantes mais conceituados do Rio de Janeiro e São Paulo. Em entrevista ao valeparaibano, com muita simpatia, ele nos contou um pouco sobre a sua trajetória.



Como foi a sua primeira experiência com cozinha?

Quando terminei o ensino médio, meu irmão já trabalhava há um ano como cozinheiro em um restaurante no Rio de Janeiro. Ele vivia me convidando para trabalhar com ele, até que um dia aceitei. Comecei como ajudante de cozinha, lavando a louça, mas achava aquele lugar muito agitado e barulhento. Mas aos poucos fui me adaptando.



E quando teve a oportunidade de trabalhar como cozinheiro e depois como chef?

O meu gerente me levou para trabalhar em outra empresa. Um dia o cozinheiro faltou e eu assumi o lugar dele. Acabei ocupando a vaga durante um ano. Depois de algum tempo recebi a proposta para trabalhar no restaurante lá do morro da Urca, onde me tornaria chef do meu irmão, aquele que tinha me convidado para o primeiro emprego de ajudante. Depois disso fui convidado pelo chef executivo do "Copacabana Palace" para assumir o restaurante do hotel. Lá fiquei por dois anos e meio, e logo em seguida fui para o "Clube de Golf" do Rio.



Depois disso você veio para São Paulo?

Na verdade eu estava no restaurante Mesquita, da Claudia Vasconcellos Marques. Tínhamos feito um jantar para 5.000 pessoas, no hotel Marina da Glória para a TV Globo. Era a final do Prêmio Multishow. Nessa noite, o gerente do Terraço Itália me convidou para trabalhar com ele em São Paulo. Eu fui e fiquei por três anos. Saí do Terraço Itália para remodelar o cardápio do bufê da Leila Maluf, em Cuiabá (MT) pois ela recebia políticos e fazia eventos importantes e precisava de um cardápio mais elaborado. Depois de Cuiabá voltei para São Paulo, para a Mercearia do Conde (cozinha tailandesa), até que o Paulo Tadeucci, proprietário da Toscana, em Taubaté, me trouxe para inaugurar a Toscana do Shopping. Foi um sucesso. Fomos eleitos por dois anos como "A melhor casa italiana do Vale do Paraíba".



Como foi trabalhar no Terraço Itália?

Muito marcante. Consegui elevar o número de refeições mensais de 9.000 para 11 mil. Também consegui fazer uma grande redução de custos.



Hoje você é chef de cozinha do Skydeck?

Chef executivo. Um mês depois que sai da Toscana fui convidado para fazer um evento no San Michel Palace Hotel. Acabei ficando durante um mês aqui até ser convidado para ser chef de cozinha do restaurante. Mais aí logo surgiu o projeto do Skydeck e passei a administrar os dois.



E a sua experiência como professor do Senac?

Foi uma experiência muito gratificante porque coloquei diversos alunos meus no mercado de trabalho. Tenho ex-alunos que trabalham na República Tcheca, no Japão, na Angola...



Você também já trabalho no exterior, não é?

Sim. Em 1997 participei de um concurso, disputado por todas as escolas de gastronomia do Senac, em que os chefs treinam um aluno que o representa elaborando um prato. Aí meu aluno venceu a competição. Ele ganhou um treinamento no Caesar Park, no Rio de Janeiro, e eu no Meson, na Suiça. Lá aprendi muitas coisas. Várias não se aplicam no Brasil, porque são coisas que encarecem muito as receitas, mas aprendi, por exemplo, como lidar com molhos.



Qual habilidade é indispensável para um chef?

O chefe precisa conhecer o que está fazendo. Ele é como um homeopata. Não pode sair jogando tudo o que vê pela frente dentro da panela. Ele tem que saber agregar sabores. Eu, por exemplo, faço uma fusão de comida tailandesa com italiana, mesclo desde os sabores até o modo de montar. Minha maior felicidade é preparar um prato, e depois ver que ele voltou vazio. Antigamente a cozinha era lugar de quem não tinha oportunidade para estudar, mas hoje você tem que ser profissional.



Você acha que as escolas de gastronomia tem papel importante nesse contexto?

Antes de falar do Brasil vou dar um exemplo da França. Lá, aos 13 anos o jovem que decide pela área da gastronomia já começa a estudar. Depois de cinco anos ele sai da escola formado. É impressionante porque eles reconhecem pelo cheiro o tempero que está sendo usado.



E o que você acha desses chefs que dizem ter "segredos" que não podem ser revelados?

Muitos deles não têm o verdadeiro conhecimento, não têm certeza do que fazem e por isso são inseguros. Há vaga para todo mundo, que é bom é claro. Ninguém tira o espaço de ninguém, e quem é bom de verdade escolhe onde quer trabalhar. Eu faço questão de ensinar tudo o que aprendi. Fui fazer escola de gastronomia depois de ter trabalhado três anos como chef de cozinha. Fiz a prova com 10 caras, nessa época eu tinha 26 anos, e me tornei o chef mais novo do Senac do Rio de Janeiro. O chef é um pesquisador e um propagador de informações.



O que o chef Mesquita gosta de fazer quando está de folga?

Tocar violão. Aliás, aprendi a tocar violão por acidente. Estava abastecendo o freezer de bebidas e uma das garrafas estourou e rasgou meu braço. Perdi tanto sangue que entrei em coma. Depois vieram as complicações porque o líquido do meu cotovelo secou e não conseguia mexer o braço mais. Ai o médico me sugeriu, como fisioterapia que eu emprestasse o violão de alguém e tentasse tocar. Deu tão certo que toco até hoje. Cheguei a ajudar um amigo a compor o samba da escola Tradição, em 1995. Era meu sonho! Achava que aquilo era uma prova de cultura sem tamanho. Na ocasião escrevemos sobre a história da roda.

domingo, 22 de novembro de 2009



Tem gringo no sambaApós conhecer música brasileira em S. José, grupo finlandês Maria Gasolina faz sucessos com versões da MPBSão José dos CamposAndré Leite


foto: divulgação

"Quem não gosta de samba bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé". O trecho do "Samba da Minha Terra", de Dorival Caymmi, nunca teve nada de pretensioso. A nossa MPB faz sucesso há muito tempo, mundo afora, e a prova mais recente disso é o fenômeno de vendas do grupo Maria Gasolina. De origem finlandesa, a banda vem se destacando no país, tocando versões de músicas brasileiras.


A história começou há mais de 10 anos, quando a vocalista do grupo, Lissu Lehtimaja, teve a oportunidade de conhecer Caetano Veloso e Milton Nascimento. Na ocasião, a jovem estava em São José dos Campos, fazendo um intercâmbio cultural e ficou apaixonada pela nossa música.

Interessante é que o repertório da banda não tem espaço só para as canções mais antigas, como "Na Rua, na Chuva, na Fazenda" (Hyldon) e "Saudade Fez um Samba" (Carlos Lyra). Lissu também roubou o "Cara Valente" da musa da nova MPB, Maria Rita.

O segundo CD do Maria Gasolina, "Ma olen sun" (2008), um dos mais vendidos na Finlândia, ainda traz outras três versões de músicas de Jorge Ben Jor - "Bebete Vãobora", "Pulo Pulo" e "Carolina Carol Bela" e, é claro que não poderia faltar um grande sucesso na voz de Elis Regina. "Haloo haloo marsilainen" é a versão nórdica de "Alô Alô Marciano". E não pense você que Lissu resistiu ao jeito divertido de Elis de interpretar a canção. A sonoridade também ficou bem parecida com a original.

O primeiro álbum do grupo, "Se jokin" (2006), não fez tanto sucesso quanto o segundo, mas abriu as portas para a nossa música no país. As traduções despretensiosas de Lissu foram ganhando espaço e os finlandeses provaram que não são maus sujeitos. Agora, influenciados por tanta música boa, só precisam aprender a sambar como nós.

Mas a história do Maria Gasolina não é fato isolado. Muitos outros compositores brasileiros já ouviram suas composições na voz de intérpretes de outras nacionalidades.

VERSÕES - Sérgio Mendes lançou em 1966 uma versão da canção "Mas que nada" em seu album "Sérgio Mendes & Brazil '66 " e se tornou um grande sucesso nas paradas norte-americanas. A partir daí surgiria outras inúmeras versões feitas por artistas renomados como Ella Fitzgerald, Al Jarreau, Trini Lopez e José Feliciano.

Em 2004, o grupo Black Eyed Peas entrou para a lista dos artistas que regravaram a canção de Mendes. A versão "Hey Mama", do álbum "Elephunk" fez grande sucesso na Europa e chegou a lista das mais tocadas na parada "Hot Dance Music/Club Play", da Billboard. No mesmo álbum, o Black Eyed Peas fez outra declaração de amor à música brasileira usando samples da bossa nova "Insensatez", de Tom Jobim, na faixa "Sexy".

Falando em bossa, "O Barquinho", de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, já ganhou uma interpretação oriental, na voz da japonesa Tomoko Nozawa, que canta várias músicas em português. E se é difícil entender Tomoko, o que dizer da islandesa Bjork, cantando "Travessia", de Milton Nascimento?

Outra japonesa que se rendeu aos encantos da MPB foi Miho Hatori. Mas desta vez, a música escolhida foi "Paraíba" do pernambucano Luiz Gonzaga. O Rei do Baião também conseguiu emplacar algumas versões de "Asa Branca" (White Wings) fora do país. O clássico da música brasileira foi regravado por artistas estrangeiros, como o grego Demis Roussus, e o escocês David Byrne.

"A Banda", depois de ter dado o prêmio do Festival de Música Popular Brasileira para Chico Buarque (1966), também virou produto de exportação e ganhou o mercado alemão na voz da francesa France Gall. No final da década de 1960, a cantora ficou conhecida no país e seu repertório contemplava "Zwei Apfelsinen im Haar", uma versão da canção de Chico.

Voltando um pouco mais na história, vale a pena lembrar da alemã Marlene Dietrich que se apresentou ao vivo no Rio de Janeiro em 1959. Entre as canções interpretadas no show estava a emocionante versão de "Luar do Sertão", de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco.


Música Vinicius e Tom Jobim divulgaram Brasil no mundoPixinguinha foi outro nome que expandiu as fronteiras da música nacionalSão José dos CamposAndré Leite

foto: divulgação

É claro que não poderíamos falar da influência da MPB no cenário mundial, sem citar as importantes participações de Vinicius de Moraes e de Tom Jobim. Quem não se lembra da versão "The Girl from Ipanema" na voz do saudoso Frank Sinatra.

Mas a idealizadora e curadora da Semana da Canção Brasileira, realizada em São Luís do Paraitinga, Suzana Salles, lembra que mesmo antes da bossa nova romper as barreiras nacionais e conquistar inúmeros fãs estrangeiros, Pixinguinha já era respeitado lá fora.

"Pixinguinha consegui fazer uma troca bastante frutífera com músicos internacionais, principalmente com o Jazz e o Chorinho. Mas foi a Bossa que consolidou a aceitação da MPB e mostrou o quanto nós poderíamos ser originais com nossa música", afirma Suzana. Quanto ao Tropicalismo, apesar de incorporar várias influências, inclusive estrangeiras, Suzana acredita que sua função foi mostrar o quanto nossos artistas são criativos, revelando a nossa diversidade.

Chistopher Dunn, professor da Tulane University, em New Orleans, escreveu um livro, em 2001, intitulado "Brutality Garden: Tropicália and the Emergence of a Brazilian Counterculture" (Jardim da Brutalidade: Tropicália e a Emergência da Contracultura Brasileira), onde faz referência ao movimento.

Em um de seus artigos Dunn afirma que o estopim para provocar uma mudança em como a música brasileira era ouvida no exterior foi o lançamento do álbum de Tom Zé, o "Massive Hits" (1990), uma coletânea de músicas gravadas na década de 1970.

"Eu comecei a escutar a música popular brasileira quando estudava na faculdade em meados da década de 1980. Naquele tempo, a música brasileira era geralmente ouvida nos Estados Unidos como uma vertente latina do jazz, devido ao impacto profundo da bossa nova nos anos 60. Milton Nascimento, por exemplo, não era conhecido por seu trabalho junto com o Clube da Esquina, e sim por sua colaboração com o saxofonista Wayne Shorter no disco Native Dancer de 1975, uma marca na história do jazz fusion", afirma o professor.

No mesmo artigo, ele conta que Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa eram comentados, mas a Tropicália não era conhecida fora do circuito universitário de alguns professores brasilianistas e seus alunos.

O album de Tom Zé, segundo Dunn, chegou com a força de uma revelação: música popular brasileira "de vanguarda" que dificilmente podia ser enquadrada dentro do esquema world music, apesar de ser premiada nessa categoria pela revista Billboard.

A cantora Suzana Salles acredita que ainda há muita coisa para ser mostrada lá fora e que muitos outros grupos, como o filandes "Maria Gasolina", vão recorrer 'às nossas preciosidades'. "Na semana que vem acontece uma mostra de viola em Londres, e dois brasileiros estarão lá: Pereira da Viola e Ivan Vilela. Isso porque é cada vez mais comum a presença de brasileiros em festivais internacionais de música. Aqui temos uma mina de ouro e tomara que eles (músicos estrangeiros) continuem descobrindo isso", diz Suzana.


Veja as versões citadas na matéria neste link:

http://www.valeparaibano.com.br/valeviver/



Giuseppe AmbrosanoCap de um dos pontos comerciais mais tradicionais de São José conta os segredos do seu sucessoSão José dos CamposAndré Leite

foto: Diego Migotto

Giuseppe Ambrosano, aos 63 anos, se sente uma homem realizado. Sem grandes ambições, ele administra, ao lado da esposa e do casal de filhos, um dos pontos comerciais mais tradicionais da cidade, a Marinella Doceria. O italiano veio para o Brasil ainda criança e aqui descobriu o gosto pelo trabalho de confeiteiro e salgadeiro.



Como o senhor começou a trabalhar com confeitaria?

Foi aqui no Brasil. Minha família tinha acabado de chegar da Itália e nós fomos morar em São Paulo. Um primo meu tinha padaria na Mooca e, como meu pai não queria que eu ficasse na rua, me levou para trabalhar com ele. Lá aprendi a fazer doces, salgados e tudo o que sei hoje.



Como o senhor chegou a São José dos Campos?

Vim para São José dos Campos logo depois que casei, em 1970. Recebi a proposta de um dos meus melhores clientes lá de São Paulo para vir para cá e montarmos, juntos, nosso negócio. Foi quando nasceu a Antonella, onde fiquei por oito anos.



A Marinella também nasceu dessa sociedade?

Não. Eu vendi minha parte da Antonella porque meu sócio queria colocar um gerente para administrar nosso negócio. Mas eu e minha mulher estávamos acostumados a trabalhar e não aceitamos a proposta. A Marinella foi inaugurada em janeiro de 1984. Foi um sucesso, pois nós recebemos mais de 500 pessoas aqui naquele dia. Mais foi um projeto que nasceu do zero, com muito sacrifício, esforço e acima de tudo trabalho.



A que o senhor atribui esse sucesso?

Logo no início coloquei as mesas lá fora, para que os clientes pudessem ficar mais à vontade. Era uma proposta nova e foi aprovada por todos. A Marinella virou ponto de encontro nos finais de semana. Aliás era uma época boa, o povo chegava a fechar a rua. Não se via uma briga. Era a mehor mocidade de todos os tempos. Hoje muitos daqueles jovens trazem seus filhos para conhecer nossa casa, é muito gratificante.



A cozinha da Marinella esconde algum segredo de confeitaria?

Nós trabalhamos com produtos naturais, frescos, essa é a diferença. A grande maioria dos estabelecimentos, hoje, trabalha com produtos industrializados, chantilly de caixinha e por aí vai. A aparência é ótima, mas o gosto...



O senhor não pensa em montar filiais da Marinella?

Não. E não foi por falta de proposta. Já recebi vários convites para abrir franquias, mas acho que não compensa. Você demora anos para construir uma imagem e conquistar a confiança do público. De repente abro uma franquia e um funcionário que não sabe trabalhar direito pode me comprometer. Estou muito satisfeito com o resultado do meu trabalho, recebi vários prêmios com indicação do estabelecimento. Zelo muito pelo respeito com os funcionários, fornecedores e clientes, principalmente. É fundamental qualidade no atendimento. Por isso gosto de acompanhar tudo de perto. Fico aqui no balcão do caixa observando se meus clientes estão satisfeitos.

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Qual a dica que o senhor dá para quem está entrando nesse ramo agora?

Sempre trabalhei honestamente. É assim que você consegue sobreviver do comércio. Hoje vejo muitos jovens montando negócio achando que vão recuperar o dinheiro do investimento e ter lucro em alguns meses. É ilusão.



A Marinella também servia bufês. Por que pararam?

Até uns cinco anos atrás eu fazia bufês para festas e confraternizações. Mas comecei a me desanimar com a falta de garçons capacitados. Os melhores estão trabalhando nos grandes restaurantes. Os mais novos não sabem trabalhar. Você vai em festa hoje, as coisas ficam na mesa para você se servir. Não é mais como antigamente.



Falta gente qualificada nessa área?

Sim e isso é sério. Estou cansado porque não consigo achar bons profissionais nessa área. Hoje todo mundo que fazer informática. Os confeiteiros e salgadeiros estão s
umindo.